10/07/09

Lendo pra minha vovó

Minha avó não sabia ler. Nunca soube. Nunca aprendeu e nunca quis aprender. A gente fazia os cartões de natal ou dia das mães pra ela e nem sabíamos que ela não poderia entender o que escrevemos. Eu acho que vovó disfarçava muito bem, ela olhava o cartão, elogiava a nossa letrinha e os desenhos que fazíamos no cartão e depois guardava tudinho, numa caixinha.

Só fui descobrir e entender que vovó não sabia ler, quando ela ficou doentinha pela última vez na vida.

Ela pediu muito que eu fizesse a Primeira Comunhão. Eu ia pras aulas de catecismo e aprendia as coisas e ia pra casinha dela falar o que tinha aprendido. Ela já estava mal, não saia da cama. Então, ela pedia pra eu ler a Bíblia pra ela e eu lia com uma seriedade muito grande e profunda. Apesar de não entender nada do que diziam aquelas palavras complicadíssimas, eu lia pra vovó com muito gosto.
Ela adorava a aula de todos os sábados.
Depois, como o avanço da doença, ela não podia mais falar. Ela estava impaciente, sofria, sentia dores horríveis e muito calor... e cantava uma musiquinha da sua igreja.
Maria do Rosário - Com Minha Mãe estarei


Cantava do jeito que ela podia, murmurando.
Eu sentia uma dor tão profunda no meu coração por ver minha vó, antes tão forte, tão corajosa, tão cheia de vida e força, presa numa cama, murmurando uma canção.
Canção que me faz chorar quando canto hoje.

Como a vida às vezes pode ser tão triste e dolorida...


Vovó sentia dores tremendas...
Mas ainda assim, ela carregava uma fé dentro dela muito bonita.

06/07/09

Há 15 anos...

Quando estava grávida da minha primeira filha, a única coisa que vinha na minha cabeça era a vontade que aquela barriga fosse transparente. Porque?? Porque não podia vê-la antes???

A barriga crescia um pouco mais a cada dia e com seis meses fui fazer uma ultrassonografia pra tentar saber o sexo do bebê. Entrei na sala, séria, sem acreditar que pudesse sentir algo num meio de uma hospital onde tudo era recheado de um verde diáfano. Era a primeira vez que fazia uma ultrassom. Deitei na maca, o médico passou aquela gosminha na minha barriga enquanto mostrava as intimidades da minha filha: - Olha, aqui mamãe, o fígado, o fêmur, o crânio, olha aqui, a espinha dorsal - e finalmente o que eu queria saber - sim, é uma menina! 100% de certeza!

Limpei a barriga, agradeci ao médico, fechei a porta e deixei que as lágrimas tomassem conta de mim. Antes, tão séria, tão nervosa, tão pouco crente na maquininha, agora tão feliz. Uma máquina mostrou minha filha dentro de mim. Aquela coisa fria, uma máquina, uma tela de computador, fez uma mágica dentro de mim, me fez ter uma barriga finalmente transparente. Era minha filha, minha Laura.

As pessoas passavam, viam aquela barrigudinha chorando, perguntavam se estava tudo bem e eu só rspondendo: Tudo maravilhoso, minha filha é uma menina e se chamará Laura, com sua bisavó.

Ps. Quando estava com três meses de gestação, minha irmã Nil me perguntou qual seria o nome do bebê caso fosse menina, eu que sempre falei desde muito pequena que se tivesse uma menininha ela teria o nome da minha querida avó, esqueci e disse alguns nomes que me vieram a cabeça, e minha irmã querida me lembrou:

- Ué, tu não dizia que se chamaria Laura como a vovó???!!
- Ahhhhh, é mesmo!!! Como eu pude ter esquecido, mana, obrigada! Sim, Laura, certamente Laura. Como a melhor vovó do mundo...

Hoje minha filha faz 15 anos.
15 anos de um amor maravilhoso, presente vindo de Deus, sempre e em qualquer situação do meu lado, meu amor, minha querida melhor amiga, minha filha!
Minha Laura.
Meu grande amor!!!



Porque ela adora Legião Urbana...

03/07/09

Jovem em 1980

Nos anos 80's a gente era muito engraçado. Éramos jovens corajosos, que usávamos umas roupas muito estranhas. As calças jeans, Bag, com a cintura no lugar exato da cintura, eram famosas, e todas nós queríamos uma. Os tênis All Star eram presentes em todos os pezinhos da meninada de 14, 15 anos. As camisas, eram sempre coloridas, as cores eram geralmente fluorescentes, fosforescentes. Uma certa novela trazia uma certa viúva Porcina, escandalosa, bonita, alegre e colorida. E lá estávamos nós, com lenços coloridos na cabeça. As mochilas eram da Op, uma marca muito famosa e jovem. Os batons eram fortes, um tal de Boca Loca tomou conta da moçada. Quando no início dos 90, uma novela Top Model, invadiu as telas, a meninada sonhava com uma vida tranquila na praia ouvindo Hey Jude! Iamos com nossos namoradinhos às discotecas, arrumadas coloridamente e dançávamos ao som de A-HA, Michael Jackson, Legião Urbana, Depeche Mode, Duran Duran, Blitz e tantos e tantos outros. Íamos pra escola coloridos. Tínhamos amigos, eles surgiam do nada, do ar, vinham e ficavam e permaneciam. Amigos da escola iam fazer trabalho de grupo na nossa casa, porque era a casa onde tinha a mãe mais legal de todos : a minha! E depois do trabalho feito, comíamos o lanche que a melhor mamãe do mundo preparava: leite achocolatado, ou café com leite, com bolinhos de chuva... e depois de alimentados, íamos treinar os passos da Madonna, uma cantora pra frentex que surgia naquele ano. Íamos dormir com os cabelos em trança pra quando acordar, soltá-los e chegar com o cabelo frisado na escola. Os brincos eram enormes e coloridos e por muitas vezes, de um lado só. Os cintos das calças compridas eram de lona com fivela grande, os relógios de pulso eram chamados de cebolões, as brincadeiras de criança já não nos importava muito, porque a gente queria ser jovem. Namorar. Dançar. Ir à discoteca. Mas isso não nos impedia de curtir os desenhos animados com nossos irmãozinhos mais novos, a Xuxa de manhã cedo, o Balão Mágico antes, a Moranguinho, os Smurfs, He Man. Surgia a Legião Urbana, a gente se reunia na casa dos amigos, e íamos comer pipoca ouvindo aquela nova banda que compramos o LP lá na Mesbla. Saíamos em fuscas pelas cidades e íamos ao clube tomar banho de piscina usando os biquinis que começavam a diminuir de tamanho e surgia um novo nome, o Fio Dental! Ou eles eram de cintura alta que íamos enrolando, até ficarem como um biquini normal em forma de corda enroladinha. As cores fosforescentes sempre presentes, as meias calças coloridas. Os vestidos balonês. As calças coladas ao corpo, de um material chamado Cyrre, ou algo assim. Os óculos escuros, de lente rosa, azul, redondinhos. Os lápis escuros nos olhos. A euforia com uma nova onda surgindo: as academias de ginástica. As danças, o Jazz. A Lambada e seu ritmo apaixonante. O Menudo, o Michael Jackson, os pôsteres na parede, os LPs, as fitas cassetes, o Walkman, as idas aos shows, as danças em passinhos combinados na discoteca. Os horários que mamãe estipulava pra voltarmos pra casa. As surras que nunca mais precisamos levar. O trabalho surgindo nas nossas vidas, ainda cedo, a escola à noite, uma das coisas mais legais da minha juventude. Apenas dois anos, os dois últimos, mas com lembranças que ficaram pra sempre no coração. As idas pra rua, pedir ordem num país em progresso. Cara pintada, alma lavada. As primeira doses de cerveja. A entrada na universidade. O fim dos 80's, os 90's. O início de uma nova vida. Inclusive dentro de mim. Minha filha. Minha vida. Meu passado e meu futuro. Minha filha.

Vivi tudo o que quis, o que desejei. Tive o que esperei, o que pedi e o que não pedi. O que mereci e talvez o que não merecia. Mas fui jovem nos anos 80. Nos anos 90. Fui jovem nos anos 80! Quanto satisfação em dizer isso!!

Minhas irmãs coloridas e eu.
Nossa linda juventude!
Saudável. Crente no futuro.
Nossa linda juventude colorida.
14 Bis - Linda Juventude

30/06/09

Árvore genealógica

Minha irmã mais velha e eu vivíamos aperreando os familiares pra saber mais sobre nossos antepassados. Isso era uma coisa que muito me incomodava: "Como assim tu não sabe o nome da tua avó?? "Pelamordedeus" isso é um absurdo, que gente mais desligada essa minha família!"

Até hoje não se sabe ao certo se minha avó materna nasceu no Amazonas ou na Paraíba. Como pode algo assim?? Ahhh isso me deixava muito chateada!


Meu vô materno, Simão, um dia me disse:

- Escreve aí para tua árvore genealógica: Já existiu uma Flora na família, mas quem era mesmo a mãe dela? Ah, era a minha mãe! E agora é a tua!
- Ahhh tá vô, tá...
- Tu sabia que tu tinha uma bisavó chamada Capitolina Rosa?
- Capitolina vô? Mas que diacho de nome feio! Como se chamava o pai dela?
- Sei não! Só sei que chamava Capitolina Rosa igual tu.
- Meu nome é Nina Rosa, vô...
- Ahhh é mesmo! ... Ué, tu não era a Pingo de Gente da tua vó Laura?
...


Errou feio vô, eu "era" não, EU SOU!
Pra sempre...

28/06/09

E meu pai se foi....

Primeiro, avisando, eu precisava colocar aqui essa lembrança, além de achar necessário avisar que é longa, bem longa... então



* * *

Meu pai se foi há quase quatro anos. Ele sempre foi um pai um pouco distante. Eu não entendia o porquê daquela ausência toda. Minha mãe e ele estavam separados há muitos anos, quase 30! Meu pai aprontou muito com ela e minha mãe teve que ser forte numa época em que todos a julgaram mal pela saída de casa com 4 filhos muito pequenos, mas ela tinha que fazer algo senão enlouquecia. Meu pai não era fácil, mulherengo demais.

Depois da separação, ainda pequenos, nos víamos todo fim de semana, quando ele ia nos buscar pra irmos ao cinema, ao parque de diversões, pra sua casa, enfim. Ficávamos mais perto dele nesse tempo do que quando vivíamos juntos. Maravilhosos fins de semana com papai.

Crescendo, fomos ficando mais distantes. Ele foi tendo mais e mais filhos pelo caminho. No fim de sua vida, descobrimos que tínhamos mais irmãos do que imaginávamos. Ao todo, meu pai pelo que até agora sabemos, fez 10 filhos.

Dois deles, conheci no dia de sua partida. E foi uma alegre surpresa ter outras irmãs tão simpáticas e bonitinhas como elas.

Eu criei uma barreira muito grande entre mim e papai porque achava que ele não gostava de mim. Como sempre, eu e minha baixa autoestima.

Ele tinha uma frieza na minha adolescência que condizia com minha timidez e medo de não agradar. Para mim ele só gostava da minha irmã mais velha.
Não era verdade. Eu fui descobrir isso, no último dia dele com vida.

Sempre me achei a pessoa menos importante na vida de alguém. Dele inclusive. Sempre achei que as pessoas não me amavam e assim cresci, tímida, quieta, feito um bicho do mato. Me distanciava das pessoas que amava, como medo de não agradar, de não bastar. E assim cresci, entre meus livros, meus sonhos, meus traumas, meus medos. Amando tanto, mas não sabendo falar sobre esse amor.

Um dia meu pai ligou coincidentemente no meu aniversário de15 anos, sem saber da data, minha mãe falou pra ele que era meu aniversário enquanto eu escutava sem querer na extensão. Ele simplesmente falou: „ah é?? A Nirley tá ai??“ (minha irmã mais velha)





Desde esse dia, eu criei a tal barreira, quase intransponível entre nós dois, no meu aniversário de 15 anos, meu pai quis falar com minha outra irmã...
Pronto. Ali foi criada a barreira.

Evitava sempre contato com ele. Foi-se passando os anos. E a raiva foi diminuindo. Mas a barreira continuava. A gente se via praticamente somente uma vez ao ano, porque eu já morava em outra cidade e meu pai tinha outros interesses e outros filhos pra dar um pouco do seu carinho. Um com cada mulher diferente. Ele só teve nós 4 com a mesma mulher.

Meus outros irmãos devem ter também seus problemas com nosso pai mas também suas boas lembranças com ele. Sua ausência doeu no transcorrer das nossas vidas, eu tenho certeza, e em cada um de nós, de forma diferente, existe uma parcela de dor e saudade do que nunca tivemos com papai.

Os meus filhos nasceram, e meu pai tinha, uma vez ou outra, algum contato com eles, quando minha irmã vinha de São Paulo, ligava pra ele e ele vinha correndo nos ver a todos. Iamos passear de carro com ele, visitar uma irmã dele muito querida. E pronto. Mas eram dias tão agradáveis na sua companhia. Agradáveis como eram os dias no cinema vendo os Trapalhões, ou no parque de diversões, enquanto ele ficava lá embaixo, nos olhando orgulhoso, e nós felizes da vida, acenando pra ele e virando de cabeça pra baixo na montanha russa.

Um dia, quando estava ainda grávida da minha primeira filha, Laura, com quase 4 meses, fomos a casa dele, e foi a primeira vez que pude sentir a Laura mexendo na minha barriga. Fiquei tão emocionada e papai me viu feliz, grávida, esperançosa.

Depois que os meninos cresceram, papai era tão desligado, que nem mesmo lembrava os nomes dos netos. „Como você se chama minha filha? Ahh Laura! Você sabia que esse era o nome da sua bisavó torta? Aquela que cuidou de mim quando era criança? E que esse também era o nome da avó da sua mãe??“ e Laura só repetia: „sei vô, sei!“

E assim, desse jeito maluco dele, de fala rápida e engraçada, a gente ia levando nossos poucos encontros anuais. Mas ele sempre era tão carinhoso com a gente. Sempre.

Eu adorava ter esse contato com papai . Queria que tivessem sido menos raros, mas por medo, eu não o procurava, eu achava que ele só queria me ver, se fosse junto com as outras irmãs. Eu tinha medo dele não gostar de encontrar só a mim. Como fui boba!

No nosso penúltimo encontro, ele foi nos buscar na casa da minha mãe. Todos juntos, saimos na sua D20 velha, ele com seu chapéu de cowboy, de cabelinhos brancos apesar de novo, 65 anos, engraçado, sorridente, orgulhoso. Fomos visitar nossa tia Ceci, irmã querida dele. Foi uma tarde tão agradável. Lembro que eu lhe perguntei porque ele havia me dado esse nome que não combinava: Nina Rosa. Ele ficou ofendido, disse que eu deveria ter orgulho do meu nome porque era o mais bonito que ele já havia escolhido para os filhos. Na casa da minha tia, ele olhou pra mim, e disse: „Nina, você tem estilo minha filha. Gosto do seu jeito“. E minha tia falou o mesmo pra mim. Ela tocou violão aquela tarde pra nós, e pediu pra gente fazer muitas fotos, porque um dia como aquele, com todos juntos, com nosso pai, era raro... ela não sabia, mas ela também iria fazer a tal viagem, dois meses depois daquela tarde cheirosa, de sol ameno. Minha tia morava perto de uma fábrica de café, sempre que íamos pra lá, tinha aquele cheiro gostoso de café no ar. Minha tia morreu e meu pai que a adorava, se formou na faculdade dois meses antes dela ir, duas semanas depois do nosso encontro. Ele foi professor de Geografia por muitos anos, mas só um ano antes de morrer, ele conseguiu realizar seu sonho de formar na faculdade de Geografia. Estava todo orgulhoso por ser universitário.


Num sábado à tarde, um ano depois desse encontro na minha tia, minha mãe me telefonou avisando que meu pai havia sofrido um acidente de motocicleta e que estava em coma.

Eu nunca chorei tanto na minha vida como naquela tarde. Passei sábado, domingo, segunda, terça feira, toda chorando. No meu trabalho, meu chefe falou junto com minhas amigas que eu deveria ir a Manaus (nessa época, morava em outra cidade, há 300Km da capital do Amazonas). Eu não podia, trabalhava, e ninguém podia entrar na salar de UTI. Mas mesmo assim, fui. Na quarta feira de madrugada.

Uma noite antes, sonhei com os pés do meu pai. Pés brancos, unhas longas, amareladas. Acordei assustada. Viajei a Manaus, 4 horas de viagem, e fui ao hospital que ele estava em coma. Lá encontrei meu irmão mais velho. Ele estava indo lá todos os dias, mas na sala da UTI, só podiam entrar duas pessoas por dia, uma de cada vez. Meu irmão falou que eu deveria entrar, já que morava tão longe, porque ele estava sempre lá. Então entrei agradecida.

A primeira coisa que vi foram os pés do meu pai exatamente como no sonho. E ele estava lá, irreconhecível, sem cabelos, com tubos na cabeça. Em coma. A médica de plantão falou que ele deveria reagir, mas não reagia a cirurgia que sofreu. Eu tinha pouco menos de meia hora pra ali permanecer, cheguei pertinho dele, e no seu ouvido falei tudo....


Agradeci os dias que tivemos juntos, agradeci os momentos no cinema (nunca um cinema foi tão gostoso como aqueles com papai, vendo o Didi Mocó), os dias nos parques de diversão, falei que o amava muito, tudo pertinho do seu ouvido. Falei o nome de cada filho que até então sabia existir, de cada neto, agradeci tudo que ele fez e repeti várias vezes que ele foi um pai muito legal. Que tinha saudade dos nossos dias juntos. Na infância. Falei que tinha muita gente orando por ele. Falei até mesmo que estava muito feliz agora, que ia casar com um alemão e que iria em breve morar na Alemanha. Isso sem mesmo saber se ia dar certo meu romance. Sem nunca ter encontrado meu marido pessoalmente, sem nunca ter falado sobre futuro com ele. Falei o que meu coração me dizia. Sem saber que isso iria mesmo acontecer alguns meses depois (atualmente moro na Alemanha).

Chorei emocionada ao abraçar meu pai em coma. Já sem nenhuma barreira entre nós. Depois de tudo isso, vi uma lágrima escorrendo do seu olho esquerdo. Tive a mais plena sensação de felicidade ao constatar que meu pai me ouviu, apesar dos médicos dizerem que isso não era possível.

Tive que sair da sala da UTI. Minha sobrinha deu lugar a um pastor, enviado pela minha outra irmã, pra ele orar pelo meu pai.

Saí do hospital, conheci minha irmã mais nova, a Alê, e uma linda sobrinha, Lidiane. Saí dali tão alegre, por ter colocado todo meu amor pra fora. E ganhar de presente uma reação do meu pai em coma. Por encontrar irmãos, reunidos na dor. Mas todos sorrindo por se reencontrarem.

Fui pra casa da minha mãe. E logo depois, na mesma quarta feira, no mesmo dia, peguei o ônibus de volta pra cidade que morava, 4 horas de viagem, feliz, aliviada, cheia de amor, apesar de triste pelo coma de papai. Cheguei em casa, e 5 minutos depois de colocar os pés em casa, minha irmã me liga avisando que meu pai havia morrido.

Meu pai havia morrido.


E eu entre lágrimas de tristeza (pela perda) e de alegria, por pensar que ele me esperou no hospital, me mostrando que eu era SIM, alguém importante pra ele.

Desde sua estada no hospital, nenhum dos filhos dele com minha mãe haviam estado no hospital, pra vê-lo. Uma morava em São Paulo, os outros dois, não tinham coragem de ver papai naquele estado, que sempre foi tão alegre, e agora em coma, era estranho e muito dolorido pra eles, e ambos tinham esperança que papai se recuperasse. Eu morava em Itacoatiara, e trabalhava aos prantos, desde que soube do coma. Até que tive coragem de ir ao hospital graças a duas amigas do trabalho que insistiram pra eu ir.

Ao abrir meu coração pra dizer ao meu pai o quanto o amava, percebi ali depois da sua partida, que ele só estava aguardando um de nós, pra finalmente ir ao chamado de Deus.

Só depois desse dia entendi seu modo de nos amar. Não era falta de amor, era somente o seu jeito de amar, distante, mas nem por isso, menos amor. Ele nos amava, a todos nós, os seus muitos filhos, à sua maneira.

Pra mim ele mostrou no seu último de dia de vida, que eu estive enganada esses anos todos, quando pensava que eu era alguém sem importância.



No meio das minhas lágrimas, já de volta a Manaus no mesmo dia, pra ir ao seu enterro, eu agradecia a Deus e a meu pai pelo presente que eles me deram, o de poder falar do meu amor pra ele ainda em vida.

Depois daquele dia eu prometi a mim mesma, que nunca mais iria guardar meus sentimentos pelos outros dentro de mim mesma e que nunca mais permitiria que alguém me destratasse, afinal, eu era alguém importante agora.


* * *

E é por isso queridas, por esse homem, que eu sempre digo que o amor está acima de tudo nessa vida. Quem diria que eu iria aprender sobre amor, exatamente com aquele que eu imaginava ter menos amor. O papai Sena.





Um mês depois de sua partida, minhas amigas me puxaram pra um show na cidadezinha, quando Fábio Jr cantou essa música, não teve jeito, as lágrimas correram no rosto de uma menininha triste e saudosa...

25/06/09

Um dia no "clube"

A menina feliz de hoje é a Dani Seiler, que tem cara de ter sido muito levada da breca. O que mais me chama a atenção na historinha que ela conta pra gente, é o fato de a imaginação da criança não ter limites e de ser de uma beleza impressionante. Olha o que ela, o irmão e os dois sobrinhos aprontaram certa vez.
* * *


"Acredito que na época tínhamos mais ou menos entre 2 a 4 anos. Era um dia de sol daqueles, morávamos todos na mesma casa, na cidade de Joinville. Ao lado havia um terreno vazio e na frente uma valeta, onde nossa brincadeira era jogar pedrinhas e molhar os pés. Só que nós queríamos mais aventura, mais emoção, mais movimento. E é claro, não pensamos duas vezes e fizemos daquele espaço nosso clube. Tiramos a roupa e mergulhamos fundo naquela brincadeira gostosa.

Ali nossa imaginação fluiu, lá existiam boias, escorregadores, tobogã (um pra cada um), competição de quem chegava primeiro etc...


A única coisa que nos incomodava era a hora do banho de sol, se viesse um carro saíamos correndo, pra que ninguém nos visse pelados. Era engraçado, porque às vezes vinha mais de um carro, e era uma gritaria só. Nossa brincadeira durou horas sem que minha irmã percebesse nada. Sabíamos o que passaria se ela nos descobrisse.

E é claro, o inevitável aconteceu!


Eu lembro bem da cinta na mão dela.

Cada um correu para um lado, eu fiquei escondida atrás de um poste, até que os fofoqueiros do outro lado da rua apontaram com o dedo. - Tá ali, tá aliiiii! Foram umas boas cintadas.


Ela só soube porque a vizinha rindo como louca foi avisar.

Esse dia foi maravilhoso! E o cheirinho bom que ficou, esse demorou para sair!"

24/06/09

Das delícias de junho

Pois eu pulei fogueira adoidado quando criança, tive comadre, compadre e irmãos de fogueira, deixei a vela cair com sua cera na bacia com água pra saber quem seria meu próximo namoradinho, enfiei a faca na bananeira, com o mesmo propósito, pedi a Santo Antônio um marido bem bacana, fiz muita simpatia que não deram em nada, dancei muita quadrilha entre os amigos, na rua de casa, com as primas e com os amiguinhos, mas não na escola, porque era a vergonha em pessoa, girei muito bombril com foguinho na ponta de um barbante, soltando "fogo brilhoso" em volta e nunca queimei cabelo brincando disso e já ri muito, muito também, soltei muita bombinha, senti muito cheiro da deliciosa pólvora das tais bombinhas, já me deliciei com o fogo subindo no céu dos balões que os vizinhos soltavam (nunca soltei balão porque era uma cagona de medrosa e hoje em dia daria problema nas redondezas...)

AMO essa época, amo as musiquinhas, amo os cheiros e sabores dessa época que na minha terra, ainda é uma maravilha, uma alegria!!! Ouvir as musiquinhas e olhar pro céu estrelado, ouvindo e cantando alto já com lágrimas nos olhos de saudade: "olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo, olha pra aquele balão multicor, que lá no céu vai subindo..." Amo e meus filhos se contaminaram totalmente com esse amor! Já curtiram muito com a mamãe as festas juninas, já dançaram muita quadrilha na escolinha, já soltaram balõezinhos que chegavam a 1 metro de altura e se desfaziam em brilhinhos mil como vagalumes, já giraram bombril maravilhados com o que sua mãe fazia antigamente, já cantaram comigo e cantam até hoje, as musiquinhas e adoram as comidinhas típicas...

Eita do amor que contagia.
Amor que tem gosto especial de milho verde, de aluá, de bolo de milho, de pipoca, de mingau de munguzá, amor com cheiro de bombinha que estourou ali pertinho e me deixou surda, com músicas bonitinhas que chamam a vizinhança pra brincar junto, que faz a velhinha surgir na janela e lembrar do seu tempo, amor de cortar as bandeirinhas pra enfeitar a rua, de colocar as cadeiras pra fora de casa, de ter uma doce vovó brincando de pular a fogueira e contando como foi que Santo Antônio trouxe seu namoradinho, brincar com as outras crianças, podendo dormir mais tarde pra poder ver a fogueira chegar às cinzas, olhar o brilho do fogo, fazer um pedido, ouvir o criptar da madeira queimando, assistir maravilhados o fogo queimar nossos medos, nossas tristezas, nossos fantasmas...

Eu vivi tudo isso em junho.
E eu amo.
E eu sinto muita saudade.
E viva São João!



* * *
Agora, um assuntinho diferente: Você também teve um avozinho gostosura assim como o que a minha doce Pati teve??

23/06/09

Você também teve??

Se havia uma fase que eu odiava era a Época do Piolho!!
Não tinha um que passasse por ela são e salvo, todo mundo na rua ou na escola pegava piolho junto. Todo menino aparecia de cabeça raspada e as meninas, de cabelos levemente mais curtos. Algumas traziam o cheiro forte do remédio usado na noite anterior. E de vez em quando, numa reincidência, as cabeças voltavam a coçar na sala de aula, no recreio, na volta pra casa. Tinha moleque que sofria!
Manaus é aquela cidade horrivelmente quente, as meninas gostavam de ter cabelos compridos, não saiam da rua, viviam no meio de outras muitas crianças, então, não havia outro jeito. Piolhinho fazia a festa! Pulava alegremente de cabecinha em cabecinha, procriando.

Lá em casa não era diferente. Quando um aparecia coçando a cabeça, lá vinha super mamãe armada contra os terríveis visitantes.
Ela fazia uns preparados malucos e nós éramos suas fiéis cobaias. Um dia era um remédio da drogaria, no outro, um preparado de folhas, mas o que mamãe achava mais eficiente faria qualquer mãe de hoje em dia chamar a minha de louca, perturbada, irresponsável, doida varrida: mamãe passava o pente fino com toda a força nas nossas pobres cabecinhas, puxava até pensamento junto com cabelos e piolhos, depois, fazia um furo na latinha amarela, o bendito Nelcid e dizia aos berros: - Fecha o olho menina, porque isso é veneno!! Depois de alguns segundos, com a cabeça branca do pó, mamãe fazia nossa cabeça gelar colocando algumas gotas de vinagre, que algumas vezes, quando a mamãe já tava com bastante raiva dos famigerados, escorria pelos nossos olhos. Metia um lenço na nossa cabeça e nos obrigava a ficar com aquele lenço ou fralda nas cabeças por meia hora!!

Nesse meio tempo, a cabeça coçava desesperadamente, podíamos ouvir os gritinhos de morte dos piolhos se muitos nos concentrássemos. Não podíamos tirar o lenço em hipótese alguma, com o risco de os pobres não morrerem ou que a mamãe matasse os bichinhos no cascudo!

Depois do tempo previsto, contado religiosamente no relógio, vinha a mamãe com um super pente fino e se ainda sobrasse algum pra contar a história, mamãe metia a unha gigante, pontuda, mortal, até quase furar nossa cabeça. Não tinha um que sobrasse vivo e mamãe reinava novamente!


O pior era quando ela fazia toda a operação Caça Piolho na varanda de casa e a gente ficava rezando pra nenhum amiguinho aparecer no nosso portão, ou ainda quando as malditinhas lêndeas ficavam nos fios e a mamãe não via antes - "Meu Deus, as lêndeas ficaram! Vem cá menina!!" E então, ela começava tudo de novo agora, puxando ferozmente os fios, um por um, com sua garras afiadas...


É, menino sofria antigamente...

19/06/09

De volta ao passado

Este blog gosta de voltar ao passado. Tem lembranças boas ou não, alegres ou tristes.
Mas a dona dele só volta na imaginação.

A Mônica Loureiro, minha menininha feliz de hoje, voltou de fato ao passado. Quero dizer, não de fato, mas...
Olha só como a Mônica descobriu um probleminha no presente que teve início no passado:

* * *

"Hoje estava pensando em tanta coisa que a gente carrega sem precisar. Tanta culpa, tantas crenças negativas a respeito da vida e de outras pessoas.

Uma das coisas que a vida e Madre Tereza me ensinaram, é julgar menos e amar mais. Mas, o que isso tem a ver com "decisões" ?

Muitas vezes, a gente, sem querer, decide coisas inconscientemente. Num Workshop que fiz uma vez, por exemplo, descobri que tinha decidido "não ganhar dinheiro escrevendo". Foi interessantíssimo descobrir isso.


Numa das sessões de regressão, voltei a minha infância e me ví com 12 anos de idade.





Como sempre gostei de escrever, e já havia sido premiada algumas vezes em jornais infantis e revistas, resolvi inventar de escrever um "livro". Minha intenção já era: ficar famosa, viver de royalties e poder então comprar meu som "Três em Um" na época...Com o restante do dinheiro, ajudaria minha família inteira a "sair do sufoco".


Escrevi os "Originais" de um livro "maravilhoso", na minha opinião, não mostrei pra ninguém ( nem pra revisar, tamanha a minha "modéstia" na época ) .

Meses depois, quando eu já tinha esquecido do fato, a coordenadora da escola me chamou na sala dela. A editora para a qual eu tinha mandado os originais, me mandara de volta "agradecendo muito, mas não estava interessada na história".



O engraçado é que, aquela cena estava totalmente esquecida na minha cabeça. Quando fui estimulada a "voltar ao passado" e procurar saber o que acontecera para eu ter tomado a "decisão limitante" de não ganhar dinheiro escrevendo, minha mente inconsciente fez voltar à tona minha decisão tomada aquele dia "NÃO VOU GANHAR DINHEIRO ESCREVENDO" .

Anos depois, vejo que consegui sucesso com a "desprogramação" de decisões limitantes feita no Workshop. Semana passada recebi de uma editora um Vale Postal de 100 reais por uma participação numa revista.

Agora, fiquei empolgada e quero trocar todas as outras "Decisões Limitantes" que possam estar no meu inconsciente por "Decisões Libertadoras"

Decidi ser mais leve"....


Gonzaguinha - Eu apenas queria que você soubesse


* * *

Muito interessante, não?!
Acho a Mônica uma menininha muito corajosa! E fico muito contente pelo fato de ela ter tido a chance de descobrir onde estava certo problema. Eu não sei se eu teria a coragem dela, de voltar assim, a um lugar que prefiro guardar na memória. Se eu fosse só encontrar a menina que fui nos momentos felizes, estaria satisfeita e voltaria com muito gosto, mas sei que encontraria também alguns momentos tão tristes que talvez, voltasse pior da minha "viagem ao passado"

E você? Qual momento acredita ter sido marcante no seu passado e que de alguma maneira, influencia o seu presente? Conta pra mim...

17/06/09

Ponto de ônibus

Eu nunca entendi o porquê, mas isso era uma coisa que me deixava bastante confusa, triste e chateada. Porque?? Porque afinal as pessoas não me cumprimentavam, não me olhavam, não me viam, não falavam comigo no ponto de ônibus??

Quando morávamos na vila militar e já na quinta série, não havia colégios perto de casa, como era a escola quartel, que a gente ia caminhando até lá. A única escola que mamãe achou mais perto e que ela conhecia bem, era o Antônio Bittencourt, no bairro da Glória em Manaus e como era em outro bairro, precisávamos pegar ônibus.

Íamos todas as manhãs, minha irmã mais velha e eu. Sozinhas.
Era um tempo, claro, não tão perigoso pra duas crianças.

De manhã cedo, caminhávamos até a estação do ônibus e esperávamos alguns minutos a chegada do ônibus.

O que eu achava estranho era que todo dia, no mesmo horário, estavam as mesmas pessoas de sempre. Eu conhecia o rosto de todo mundo, eu os via todos os dias, mas acho que eles não viam a mim. Era como se eu fosse invisível!

Tinha o homem que usava sempre um chapéu de palha e uma sacola, e havia sempre peixes na sacola, devia ir à feira todos os dias ou então era pescador, tinha o rapaz bonito que ia com uma mochila bem legal, tinhas as moças que se encontravam no ponto e iam ao trabalho juntas, tinha a mulher arrumadinha e tinha a moça com pressa.

Eu chegava no ponto e eles já estavam lá, eu olhava para os seus rostos, eles me olhavam mas viam através de mim.
Quando eu entrava no ônibus, tava todo mundo também lá dentro, ou olhava pros seus rostos o tempo inteiro no ônibus, esperando que eles retribuissem o olhar, mas eles nunca me olhavam, eu conhecia aquelas pessoas mas elas não a mim.

Eu esperava só um "oi, você também tá sempre aqui né?? Tá indo pra escola?? Quer levar um peixe pra sua mãe?? Um dia você também vai trabalhar e vai poder usar um terninho bonito assim. Qual sua matéria preferida na escola??" Mas não recebia nada, nadinha, nem mesmo um olhar de cumplicidade.

Eu nunca entendia porque eles me ignoravam se eles me viam todo dia...


16/06/09

Um presente!

Lu, obrigada. Fiquei até sem palavras!
Olha que meiguice gente...

15/06/09

Olha o boi!!

Era uma mulher feia, que tinha um sorriso largo e debochado no rosto e uma bunda não sei porque, muito, muito grande, aumentada com enchimento. Ela metia medo na gente, muito medo. Corria pelas fileiras do boi bumbá, fazendo barulho, muito barulho, assustava as criancinhas que estavam de fora assistindo o boi passar.

"Lá vem a Catirina", gritavam outras crianças e a gente se escondia por debaixo das pernas da mamãe. Ela vinha com sua aterrorizante cara alegre pra nos assustar, sua maquiagem borrada e sua peruca. Os olhos brilhavam e o lábio pintado de um extremo vermelho dava mais medo ainda. E sua risada mais lembrava a de uma bruxa doida.

Até que víamos o boi passar e por debaixo do boi, estranhávamos os pés de homens, arrastando e balançando o "boi". Os chapéus dos brincantes tinham muitos brilhos, verdes, vermelhos, azuis, dourados. Eles tocavam o tambor pra o boi passar, contando as histórias do boi e da grande fazenda. Mulheres giravam pelas ruas de nossa casa com sua saias rodadas, eram as sinhás e sinhazinhas, as cunhãs, era a cunhã poranga, a mais bonita índia dali...

Todo junho era assim.
A gente ouvia de longe os tambores tocando, descendo pela rua, já de longe, sabíamos que ele estava vindo. Ficávamos em estado de graça, numa alegria entusiasmada, misturada com o medo de encontrar a Catirina mais uma vez.



"Olha o boi! O boi tá chegando!!" E a gente corria pra rua, pra noite iluminada pelas estrelas de São João e com o brilho sempre presente do boi, todo mundo em frente às suas casas pra ver o boi passar. Mamães, vovós, primos, vizinhos, amigos, todo mundo.

A gente gritava o nome da Catirina doida pra ela ver a gente e quando ela vinha com sua bunda gigante pra rir com sua risada debochada, a gente gritava de medo e saia correndo pela rua apavorados. Às vezes, corríamos pelo meio dos brincantes, pra fugir assustados da Catirina, aquela bunduda doida que queria comer a língua do coitado do boi.

E a gente seguia o boi até as outras ruas, como se enfeitiçados pelo batuque e pelo brilho do desfile, até que a Catirina ia embora rebolando, até o próximo junho do ano que vem.
* * *
Arlindo Junior - A Contagem

Era assim antigamente em Manaus. Quando ainda não havia a festa comercial em Parintins, do Boi Bumbá. Era assim antigamente quando ainda não havia claramente pra nós nem o Caprichoso nem o Garantido. O boi era o boi e só e desfilava pela ruas da cidade, pelos bairros pobres, trazendo alegria, música de batuque, letras de florestas encantadas, índios, mulheres guerreiras, coloridos e brilho, muito brilho... hoje, ele só faz parte das lembranças de algumas meninas.

Que conhecer um pouco mais?

12/06/09

Para o Pipoca!

O menino feliz de hoje é o Vinícius, ou o Vivi, ou Vini-Vini, ou seria melhor o Pipoca???
Um meninho que desde pequenininho já era um pipoquinha!

Mas é a mamãe Lu que fala dele, que fala pra ele, que monta palavras facilmente, lindamente.
Vamos conhecer esses "doizinhos" felizes?!

* * *

"Aqui meu poema, para meu querido poema chamado Vinicius!

Antes porém cabe a explicação. Vinicius recebeu o apelido de Pipoca ainda na minha barriga, pois pulava um tantão enorme todos os dias. Toda vez que isso acontecia era uma festa literalmente, dentro e fora da barriga. Depois que nasceu passei a observar seus movimentos e fácil, fácil reconheço as "cambalhotas" de tempos atrás. Brinco muito com ele, invento musiquinhas sobre ele. Códigos que talvez tenham significado afetivo e "nada" mais.

Este poema é um dos que mais gosto de repetir a ele. O meu tagarelinha, hoje com 01 ano e 09 meses, já começa a memorizá-lo e aos poucos vai repetindo, como quem pede mais. Quando lhe digo faceira os dizeres que adocicam a alma, ouço sua gargalhada e sinceramente, não sei quem se diverte mais"...




PIPOCA -
BRINCADEIRAS DE MAMÃE PARA O VIVI (04/03/2009)


Pirulito
Periquito
Pipoca
Pirilampo
Pururuca
Pororoca
Perereca
Meu Querido
Vinicius
Menino
Sabido
Inteligente
Bonito
Da Mamãe!

Parabéns meu querido por 01 ano e 07 meses de descobertas tagarelas, coloridas alegrias e muito amor!!!



Palavra Cantada - Pipoca

10/06/09

Dançando quadrilha

Na terceira série - a pior série da minha vida! não por ser uma escola-quartel e por ter sido a escola mais rígida que já frequentei, mas porque a professora de matemática era uma verdadeira bruxa do mal - a gente tinha que dançar quadrilha na época das festas juninas.

Minhas irmãs dançavam tudo que aparecia e eu que era muito tímida nessa época, resistia a tudo pra não aparecer.

A tal professora bruxa tinha que treinar a nossa sala pra tal quadrilha. Todo dia era um martírio pra mim, ensaiar aqueles passos desengonçados. Eu me sentia a pessoinha mais ridícula do mundo treinando aquelas bobagens em sala de aula.

A bruxa arrastava as cadeiras todas contra as paredes e lá íamos nós, os lesinhos, pular no meio da sala de aula, fazer caracol, passar por debaixo da ponte, desviar o caminho da chuva.. "olha a chuva! oohh, é mentira! oohh"

Professora bruxa abestalhada!

Eu odiava com todas as minhas forças aquela marmota de dança! E já havia falado que não queria dançar, logo no início, alias, eu tremia quando começava junho, só por causa da quadrilha, mas como poderia convencer à professora? Ninguém me ouviria. Ninguém nunca na verdade, parou pra me ouvir...

Eu ensaiava todo dia aquela porcaria de dança, me sentindo todo dia cada vez pior. Era muita humilhação fazer parte daquele circo de meninas e meninos cheios de sardas falsas pingadas na bochecha, de dentes pintados de preto, entre chapéus de palha e remendos, laçarotes e bandeirinhas coloridas...

Até que no último dia de ensaio, um dia dia antes da quadrilha se apresentar, eu saí de casa decidida a dar um fim naquela papagaiada toda.

No meio do ensaio, já na fila de meninos e meninas separados pra começar a roda, eu gritei com a professora que não dançaria aquilo de jeito nenhum, que eu odiava aquilo tudo. Gritei com tanta força e coloquei tanta veracidade naquilo, que só restou a professora bruxa aceitar a minha decisão, não antes de ficar reclamando de mim e de comentar com tom arrogante "o quanto a Nina Rosa é diferente das irmãs tão lindas e quase profissionais da dança".



Não lembro o que me aconteceu depois disso, certamente levei muita peia da mamãe ao chegar em casa, certamente minhas irmãs brilharam na quadrilha, talvez tenha quebrado o coração do meu par na dança, só sei que com certeza, eu me senti vingada da bruxa, falei pela primeira vez o que eu realmente queria, comi as comidinhas típicas na festa como convidada e...
...
...

Aprendi anos depois que no fundo no fundo, dançar quadrilha é bem divertido.
Luiz Gonzaga - Olha pro Céu


E eu fico a pensar na vida e no passar dos anos, em como a gente muda nossa opinião, no quanto a gente aprende... em como eu gosto hoje dessa época! Como as músicas me fazem chorar, chorar muito de saudade. Como tudo é tão gostoso em Manaus, nas festas juninas, brincando junto na quadrilha...

08/06/09

Tanajura!

Ao brincar de casinha, a gente criava bolinhos de terra ou "emprestava" escondido da mamãe coisas da sua cozinha, sem ela saber. Mas havia uma época do ano que bastava a mamãe dar um pouco de farinha de mandioca, que a gente tava satisfeito e até a mamãe ia lá pra rua com a gente, provar nossas guloseimas e ainda aproveitar pra lembrar com saudade quando ela mesma fazia parecido, no tempo que era menina levada da breca!

Era a época das formigas tanajuras. Aqueles formigões gigantes.

A gente lá de casa e a molecada da vizinhança, se juntava e ficava a procurar pelas ruas as tais formigonas, pegava um bocado delas, uns pedaços de tijolo, uma caçarola ou tampas de lata, fazia fogo e fritava as bichinhas. Juntava um pouco de sal e farinha, fazia uma farofa e comia tudinho.

A meninada da vila que vinha de outras regiões do país e nunca tinha visto aquilo, no início, fazia até cara feia e aposto como gostavam de chamar a gente de Índio Comedor De Tanajuras, mas as indiazinhas convidavam os "cara pálidas" pra participar da roda, até que eles acabavam gostando das nossas coisas estranhas.


Eu só acho que quem não gostava dos pratos que criávamos eram as pobres formiguinhas, coitadinhas...

05/06/09

Coisas do coração

Aqui nesse cantinho, eu gosto de lembrar coisas da minha infância. Com o passar do tempo, entendi que seria legal ouvir as historinhas de outras pessoas, por isso eu abri o blog pras crônicas de outras meninas e meninos felizes. Só gosto de postar aqui coisas da infância, mas a historinha de hoje, não tem muito a ver com a infância da Marcinha, essa menina encantada que é a minha menina feliz de hoje.

Mas apesar de não ser algo sobre sua infância, é algo que tem a ver com uma coisa muito presente aqui, o amor. Ela tá falando de amor! E amor é a coisa que mais precisamos, urgentemente. Não me refiro somente ao amor por um homem ou mulher, to falando de amor completo. Amor bonito, amor real, amor de bicho, de planta, de mãe, de filho, de vó, de boas lembranças.

A história da Marcinha tem a ver com amor por outra pessoa e também com crença no futuro, amor pela vida, esperança...

Vamos conhecer a Marcinha e o Michael???

* * *


Era uma tarde tediosa, mais uma das muitas tardes de trabalho em frente ao computador e no outro lado do mundo, uma manhã de trabalho normal para outro alguém, também em frente ao computador.

Marcinha refletiu, depois desse dia, sem notar, que foi naquele momento exato, que Deus pensou: "É, eu acho que isso vai dar uma boa combinação"... Uma janelinha se abriu na sua tela, uma janelinha aberta na Alemanha e ela sentiria o arzinho da janelinha sendo aberta do seu lado.

Normalmente ela fecharia a janelinha, mas como pretendia fazer um curso no exterior, se permitiu ser a ouvinte do outro lado da janela. Teria ela, flores, como nos seus sonhos? Seriam as flores, gerânios ou margaridas? Que cores teriam?? Que aromas?

A pessoa que fez o toc-toc, era o Michael, ele viria ao Brasil e queria dicas sobre o Rio de Janeiro. Marcinha trabalhava no mercado financeiro na época e o ajudou a escolher um albergue. A amizade começou a surgir, houveram alguns imprevistos que sempre os impedia de se conhecer pessoalmente, mas as conversas amigáveis através das janelinhas sempre os unia...


Certo dia, depois de muitas boas conversas, risadas, aromas de flores e ventos bons e outros nem tanto, Michael através da janelinha de sempre, perguntou aonde a Marcinha passaria o fim de ano. Ela disse que passaria na Bahia, com a família. O até então amigo Michi, perguntou se poderia acompanhar.

E foi, simplesmente, pulou a janelinha e trouxe um sorriso no rosto, um jeito amigável na bagagem, um ar de menino, um jeans, um All Star...

Alguns dias antes ela já sentia borboletas no estômago, mas tudo era tão novo, ela ainda não entendia o que estava acontecendo.

Eles se encontraram finalmente e já se gostavam.

A Marcinha havia descoberto nas conversas com seu amigo, que tinham muitas afinidades, no modo de pensar, nas coisas da vida... e antes de vê-lo pular a janelinha, não havia se dado conta ainda que o amava, que a escolha o seu coração, já havia feito, sem que ela própria notasse.

Mas foi ali, na Bahia, em férias da cidade grande, que Márcia se permitiu acreditar de novo. E no terceiro dia juntos, ela olhava pra ele e pensava:

- "Meu Deus, será que é assim que a gente descobre que tal pessoa é o amor da nossa vida? Porque eu não quero passar minha vida longe dele, eu quero uma casinha bonita com flores na varanda e ele no sofá. Eu quero esta pessoinha do meu lado pra sempre".

Mas esses eram somente os pensamentos dela e os guardou consigo. Mas o Michael, no mesmo dia dos pensamentos da Marcinha, falou encostado numa árvore: "Ich liebe Dich" ("eu te amo", no idioma dele). Ainda bem que a Marcinha já tinha alguma noção do alemão...


Com a Marcinha entendendo, o "Ich liebe Dich" do Michael e sem acreditar no que a vida estava tecendo tão delicademente pra ela, ficou sem saber o que fazer, não respondeu nada, olhou pro chão e ele pediu desculpas, disse que não deveria ter dito aquilo. Mas ela, que percebia as flores na janela de novo e o ventinho que lhe causava, fazendo as borboletas se movimentarem pra lá e pra cá dentro de si, falou que não havia motivos para se desculpar, pois era exatamente aquilo que sentia por ele.

Hoje, eles são um lindo casal de apaixonados, planejando um casamento pro próximo ano. Coisas que Marcinha explica como sendo "coisas de Deus": "- Como Deus pode ser tão maravilhoso... Porque eu sempre sonhei em fazer minha pós-graduação no exterior. Me lembro que há 3 anos eu disse pra minha mãe que precisava aprender alemão, não sabia porque, mas eu precisava. Teimei até me matricular. E me aparece o Michael ano passado"...


E tudo o que a Marcinha pode falar desse ponto em diante, é que a mesma distância que os separa é a mesma que os une.

...
...

E eu, bom, eu só posso dizer que sonhos existem pra serem sonhados, acreditados e nunca deixados de lado. Que mesmo que a gente sofra um bocado, Deus sabe exatamente a hora de nos presentear com aquilo que Ele também acredita ser bom pra gente. Que a hora, quem escolhe e decide não somos nós, com nossa arrogância, prepotência e pressa e que é melhor nos deixar levar pela crença e fé na vida, levando da melhor forma possível esse presente lindo que é viver.
* * *

Obs. A querida Márcia havia passado por uma grande desilusão amorosa poucos meses depois do toc toc e mesmo assim, ela nunca fechou suas janelas...

Acredite, ame e abra suas janelas você também!

04/06/09

A minha humilde e solitária campanha

Que participar da minha humilde campanha?
Leia isso!

02/06/09

Sujeirinha boa aquela...

Quando não tínhamos muitos brinquedos, inventávamos. Qualquer motivo era pra brincar. A gente adorava pegar tubos de papelão longos e enquanto um falava de um lado o outro ouvia do outro lado. Quanto mais as minhas irmãs gritavam, mas eu gostava, porque aquele ruído fazia cócegas no meu ouvido. Eu pedia mais. " - Grita grosso!!" Quanto mais grosso o ruído, mais cócegas eu sentia. As minhas irmãs cansavam de gritar grosso e eu lá, pedindo mais...



Era bom sentir cócegas no ouvido, inclusive, o momento que eu mais gostava era quando a mamãe vinha com cotonetes pra limpar nossos ouvidos. Ela pegava cada um dos filhos e limpava a molecada, ficava xingando porque a gente tava sempre de ouvido sujo.

Enquanto minhas irmãs choravam porque não queriam ficar ali, entre as pernas da mamãe, eu queria era que a limpeza durasse mais. - "Mamãe, acho que tá mais sujo lá no fundo"... e a mamãe xingava e eu curtia, mamãe xingava e eu curtia...

Ohhh cosquinha boa!


01/06/09

Vamos pro Banho??

No Amazonas a gente não tem mar, só rio de água doce. Lá, a gente chama esses passeios ao rio, de Banhos. - "Ei molecada", mamãe dizia - "vamos prum banho??" E a molecada abria o maior sorriso porque sabia que ia ter diversão na certa.

Ir pra os banhos de Manaus, significava bagunça com os primos na ida no ônibus que a família toda alugava, cantando músicas até a chegada no rio, sabíamos que ia ter comidinha gostosa, muito sol, vovó, mamãe e titias alegres, muita criança pra gente conhecer e fazer rápidas amizades... areal pra subir e descer correndo, água super geladinha do igarapé (pequeno braço de rio no meio da mata fechada), passeios na floresta sozinhas, até que a gente encontrasse uma cobra enrolada no chão, ao pé da árvore e saíamos todos correndo desesperados pra contar pra todo mundo que quase um cobra gigante nos engoliu inteiros!!!

Ir pros Banhos era diversão e mais nada. Era ver a areia secar no corpo e deixar nos fundos dos biquinis sua marca registrada, era procurar sinais de outras civilizações que inventávamos, era pegar as casinhas dos caramujos e tentar ouvir o barulho do mar que não tínhamos por lá, era ver a vovó tomar banho de vestido e se deixar secar ao sol numa pedra, era comer peixe fresco assado na brasa e ver essa mesma vovó tirar as espinhas dos peixes pros netinhos, era tomar guaraná geladinho, era pentear o cabelo duro, era procurar sereias nos cantos das pedras do rio.

Ir pros Banhos era estar feliz demais, junto de quem a gente muito amava.
...
Eu fui pro banho nessa semana que passou.
E fui menina feliz de novo, agora, agora num Banho com conchinhas de verdade.
E foi bom, foi muito bom brincar na areia de novo.

25/05/09

Doces Lembranças

A menina feliz de hoje é a Silmara, que fez aniversário e estava se sentindo meio confusa, ao não se lembrar dos outros aniversários passados...
Mas eu acho que a Si lembra de coisas bem legais. Olha só, que bonitinha:

Quinze Mil Dias por Silmara Franco

"Hoje é meu 42º aniversário. Tentei me lembrar dos quarenta e um aniversários que já fiz e, surpresa: não me recordo de quase nenhum. Dos primeiros anos é compreensível, quem é que se lembra de alguma coisa com um ano de idade. Mas fui buscando na memória os que vieram em seguida, e nada.

Com dois anos lembro-me de um episódio, digamos, impactante. E recordo dele com precisão. Estávamos em Santos. Eu, na beira do mar, brincando. Virei-me de costas para o imenso oceano, talvez para acenar ou mostrar alguma coisa para meus pais, que estavam na areia, um pouco afastados de mim. Foi quando uma pequena onda, um verdadeiro tsunami para alguém com pouco mais de meio metro de altura, derrubou-me. Fui saber que isso acontecera quando eu tinha essa idade porque mais tarde descrevi a cena a alguém, que se lembrou. Mas do meu aniversário, nenhuma recordação.

E como terá sido meu terceiro aniversário? Lembro-me de uma cena de quando eu tinha três anos, durante a Copa do Mundo de 70. Porquê ela me marcou, eu não sei. Pelo futebol é que não foi. Lembro de minha mãe fazendo pipoca numa panela, e eu ao lado dela. Quando ela terminou, passou a pipoca para uma vasilha, fechou a porta que ficava ao lado do fogão e que dava para o quintal, e ternamente me chamou, Vamos? Era para irmos para a sala, onde meu pai e meus irmãos (acho) já estavam em frente à TV para assistir ao jogo, que eu não lembro se era a final ou não. E do dia do meu aniversário, mais ou menos um mês antes dos jogos, não há meio de eu me lembrar.

Dos meus cinco anos, trago viva na memória a lembrança de andar em meu triciclo (batizado de “Crondiana”, não sei de onde tirei esse nome) no pequeno quintal de nossa casa. Incrível como um corredor de menos de vinte metros de comprimento e menos de dois de largura pode nos dar tanta alegria. Eu me lembro de ir pedalando até o final dele, fazer a meia-volta, ir até a outra ponta, fazer nova meia-volta e repetir o trajeto dezenas de vezes. Sozinha. Feliz da vida. Ganhei o triciclo com essa idade, mas não me lembro se foi presente de Natal ou de aniversário. Lembro-me até de uma calça vermelha que eu não tirava, de tergal, com botões, que era dessa época. Mas do dia em que fiz cinco anos, nada sei.

Ainda os cinco anos. Foi nesse ano, 1972, que Vila Sésamo estreou no Brasil. Recordo de irmos todos para o quarto de minha mãe, onde ficava nossa TV, para assistir ao primeiro programa. Sentei-me no chão, ao lado da cama de meus pais, e encantei-me com aqueles personagens em preto-e-branco. Lembro-me de ter imitado o Garibaldo por muito tempo, usando as duas mãos para fazer de conta que eu tinha um bico igual ao dele. Cismei de falar através do tal bico, o que deixava minha mãe bastante irritada. Agora, do dia em que fiz aniversário, não há lembrança alguma.
Do primeiro dia de aula no pré-primário eu me lembro como se fosse hoje. O aceno de minha mãe ao se despedir de mim na porta da sala, a bolsa vermelha de pano com meus materiais, bordada com meu nome, o sorriso gorducho e carinhoso de Tia Neide, acolhendo todas aquelas crianças que pisavam em uma escola pela primeira vez. (A maioria das crianças ia à escola com seis anos, e não seis meses, o que me faz ficar nostálgica à beça – para usar uma expressão bem setentinha.)

Dessa mesma época, tenho na ponta da língua a placa do velho Fusca cor de pérola que meu pai tinha: BG-7542. Mas nenhuma recordação de nenhum aniversário. Mesmo que não houvesse festas, porque as vacas sempre foram magras lá em casa, teimo em achar que eu deveria me recordar de alguma coisa, um presente, um bolo feito com carinho pela minha mãe. Sinto uma falta danada de não ter essas memórias.

A primeira lembrança de um aniversário aparece quando fiz quinze anos. Meus amigos do colégio fizeram uma ‘vaquinha’ e me deram um ursinho da Lionella, branco e rosa. Ele existe até hoje, é um jovem urso de vinte e sete anos. Está na casa de meu pai, e cada vez que vejo meus filhos brincando com ele, tenho a certeza de que este mundo é mesmo muito interessante.

Dos aniversários mais recentes, as lembranças existem, claro. Mas eu sempre as confundo, e acabo precisando das pessoas para me situar. A paellada que fizemos aqui em casa com todo mundo foi em 2006 ou 2007? Passo por desmemoriada, mas a verdade é que a minha memória funciona muito bem para algumas coisas, e para outras não. E nunca consegui compreender seus critérios. As lembranças gostam de brincar comigo, numa espécie de esconde-esconde. Tampo os olhos, conto até dez, e lá vou eu atrás delas. Mas elas vão mudando de esconderijo, e por vezes, para minha tristeza, desistem da brincadeira e vão-se embora para sempre."



Post programado.

Espero que você tenha gostado querida amiga Si! Fiz com um imenso e gigantesco carinho, pra você e pra sua família linda, pra pequena Nina, minha xará, pro Luca, pro Bruno, pro Edu, pra Silvana, pro Sílvio, pro seu Tonico e com um amor imenso e maior ainda, se isso for possível, pra dona Angelina! E ainda sobra um bocado de amor, até pro Kim :)

23/05/09

Um presente

"Nina Menina

Este é o seu poema, um presente prá você, por tudo que teu blog me lembra, e por agradecimento. Minha alma carrega aquela ansiedade da infância, se teço um presente, se escrevo um poema não aguento esperar e trato logo de entregá-lo ao dono... rs Neste caso, você! Com carinho faço teu o poema e te desejo uma viagem deliciosa!!!

Abraços

Luciana"


NINA MENINA

"Nina
Lembra menina Faceira
A brincar de pintar Colorir Desenhar
Mais do que palavras
Arabescos da infância
Lembranças
Que rodopiam no ar
Leves como pipas molecas

Onde asas abertas

Ganham o infinito

Estrelas tímidas

Mas que longínquas

Brilham contidas em cada ser

Desenhos feitos a dedo

Quem sabe um dia na terra marron de pisar

Ou nas areias fofinhas perto da água salgada do mar?

Teus olhos percebem nas nuvens
Que os desenhos também podem voar

Prá bem perto de corações meninos serelepes
Ou dos corações de algodões doces das bailarinas cor-de-rosa

Correm infantes teus desenhos

Buscam a liberdade gaiteira

De braços abertos estes petitos (os percebo no alto do morro, perto do por do sol, das árvores em coro junto aos pássaros numa delícia de "barulheira" tamanha alegria faceira....)

Afinal nunca houve no mundo

Alguém que já nasceu adulto

Graça e sabedoria
Que nascemos crianças
Já sabendo brincar
Com o mais simples
Tempo tão fácil de lembrar e amar!

Nina sabida

Seu coração rabisca

Pinta

Apita
Grita

Dá gargalhadas estridentes

Prá que contentes e sempre

Lembremos do doce (que toca a alma e daquele que lambuza a gente), do pueril, do simples, do ingênuo

Do riso farto, no rosto estampado,

Dos sabores de manga escorrendo na cara, do chocolate, da meleca

Do choro tão fácil quanto o perdão ou o esquecer para de novo poder viver

Nina
Palmas prá criança sapeca
Divertida

Terna
Que existe viva, saltitante em você!

E quem ainda quer brincar põe o dedo aqui!!!!!!"

Um beijo doce
Lu
* * *

A Lu me enviou essa coisa bonita por email ainda agora, e eu que já nem tava mais querendo usar a net, não resisti e vim postar. Poderia eu fazer algo mais com tal carinho??!!

Isso me fez tão feliz, Lu, que você nem imagina. Obrigada de coracão. Saiba que a menina que vive em mim, que vive em cada uma de nós, tá super contente, como se tivesse ganho um presente do céu, um presente que ela sem saber, sempre esperou, mas que demorou, demorou :)
Obrigada querida, muito obrigada!

E eu fico pensando se existe presente mais bonito que um poema...

21/05/09

Pra vocês meninas!

E não é que vocês tinham razão???
Ficou bem mais vivo e até colorido não é?!
Se clicar na ilustração, dá pra ver melhor...

Tem um pedacinho de cada uma que deu sugestão aí...

Dá pra sentir o cheirinho de bolo de milho? De manga? Goiaba? Dá pra sentir daí o cheiro de mamãe? O cheiro do mato? Da grama molhada depois da chuva? O brilho do arco-íris e a vontade de encontrar o pote com ouro no fim dele? Será que tá em cima do telhado?? Dá pra sentir a risadinha da menina lendo Lulu e Bolinha e o ranger da rede? Dá pra sentir daí o cheiro dos peixes no rio? O barulho da pequena cachoeira, o cantar dos passarinhos?? A sensação de liberdade, de simplicidade? Dá pra sentir daí o barulho dos bichos? As conversinhas das amigas ao pé da árvore? O ronronar do gato cochilando ao sol? O brigar da mamãe com o cachorrinho levado??

Dá pra sentir saudade, não dá?!!
Beto Guedes - Amor de Indio

Pra mim faltava também música :)
E só garanto uma coisa, não tem internet na casinha :)

19/05/09

Simples

Pensando bem,
pensando bem mesmo,
a gente precisa de mais alguma coisa
além disso??

Talvez...
O que você acrescentaria nesse desenho, para ficar mais completa a felicidade simples que a gente merece??
Diz pra mim.

18/05/09

No cinema

A gente ia ao cinema com o papai sempre que surgia
um novo filme dos Trapalhões...



Esse aqui eu lembro com saudade.
E era um dos melhores momentos com papai, que vinha nos buscar
no seu fusca mágico.

Nós, papai, o Didi Mocó e a mágica do amor escondido...

15/05/09

Minha Mãe e a Medalha

Lancei um pequeno concurso lá na outra casinha que tenho e as meninas que me visitam votaram nesse texto bonito de doer que a minha querida amiga Renata fez... Ainda bem que votaram por mim, porque eu não conseguiria escolher somente um.
Foi para o Dia das Mães. Olha só que delícia de declaração de amor, não somente à mãe, mas à vida.

Rê, muito obrigada pela sua doce participação.

* * *

"Sempre achei minha mãe perfeita. Bonita, cheirosa, elegante, engraçada, compreensiva.

Uma mulher-maravilha de verdade. Em carne e osso. Sem avião invisível, mas com vários outros super poderes.

Quando eu tinha 8 anos, em março de 1983, meu pai, que fazia uma grande dupla com ela, faleceu, vítima de câncer no intestino. E, mais uma vez, o seu super poder transformou um acontecimento trágico em uma forma de nos unir ainda mais. Existiam os momentos de tristeza, é claro, como quando fomos passar um carnaval em Rio das Ostras – RJ e, enquanto eu fingia dormir, ela, em prantos, conversava com minha Tia Luíza, dizendo que estava recebendo ajuda financeira dos irmãos e do pai para conseguir comer.
Mas a mulher maravilha não se deixava abater. Nunca. Levantava a cabeça e continuava a vida. Dando o melhor de si para mim e para o meu irmão, Bernardo.

Três anos depois daquele março, voltamos a morar em Colatina, pois havíamos mudado para Vitória quando eu tinha mais ou menos 3 ou 4 anos. Moramos um ano na casa de minha avó, a mãe da Mulher Maravilha. E o que parecia ser trágico, virou encantamento. Deixamos uma apartamento enorme em Vitória e uma vida digna de filme para morarmos em um apartamento emprestado em Colatina, bem pequenininho. E ela dizia: “ A nossa casa vai ficar parecendo uma casinha de bonecas. Vocês vão adorar morar aqui!” E adoramos mesmo. Por cada dia.

Neste mesmo ano em que mudamos, na celebração do dia dos pais no colégio, a professora de artes nos pediu que fizéssemos uma medalha para o nosso pai, colocando-o em primeiro lugar no nosso coração. Eu fiz a medalha, claro, não gostava de ser diferente na escola (criança pensa cada coisa...), mas quando cheguei em casa, fui correndo para o meu quarto e apaguei o pai. Não porque o meu pai não fosse digno de uma medalha ou porque ele não fosse o meu campeão, mas porque, naquele dia, naqueles anos, naquela vida, eu não poderia dar a medalha para outra pessoa.

Em cima do pai apagado, escrevi um MÃE bem grande e fui correndo premiá-la naquele dia. A mullher maravilha tinha vencido mais uma vez..."


TV & Movie Themes - Wonder Woman

13/05/09

O que me faz sorrir?

A Zezé (desculpa Zezé, mas eu não consegui comentar no teu blog) pediu pra eu fazer uma lista com 7 coisas que me fazem sorrir. E eu deixei que a minha menina feliz interna falasse...

Só que ela, como é uma menina, não segue regras, desobedece e por isso, não vai listar, vai só falar coisas que ela não falou naquele tempo...

* * *

Ahh, eu fico feliz com muitas coisas, mas eu também sou bastante triste. Eu tenho minhas tristezas guardadas dentro de mim e penso que elas são campo proibido aos outros. Eu penso que ninguém entende ou vê que sou triste, mas eu acho que estou enganada. As pessoas sabem que carrego minhas tristezas. Eu tenho um olhar meio vago. Meio distante. Eu vejo um pouco mais do que o aqui. Eu acho que elas sabem sim que sou triste, é como nos dias que estou no ônibus, indo pra escola e canto dentro de mim, eu fico pensando que as pessoas que estão em volta não escutam o meu cantar, mas o som não está só no meu ouvido, como eu penso, as pessoas podem ouvir o chiado que faco no fundo da garganta, mas ninguém fala pra eu parar de cantar... é assim, as pessoas, simplesmente sabem, mas não falam nada...

Eu sou metade triste, porque me feriram e continuam me ferindo, eu ao mesmo tempo sei, que sou feliz. Sei que mesmo triste sou feliz. E isso me confunde um pouco a cuca. Mas eu sou muito feliz.

Eu fico feliz com coisas simples, eu gosto de subir na minha mangueira e lá de cima olhar o mundo, eu gosto de comer seus frutos, eu gosto até mesmo das queimaduras que as lagartas me deixam. Eu gosto de ouvir minha mãe chamar a gente pra almoçar, eu gosto quando ela está feliz. Eu gosto tanto de ver a minha mãe feliz!!! Eu gosto de lavar a varanda com água e sabão e escorregar de barriga. Isso me faz sorrir. Eu gosto de brigar com minhas irmãs e depois das brigas, brincar com elas. Eu fico muito feliz quando a Cristiane e o Macedinho chegam da escola e a gente pode colocar nossos patins pra descer as ladeiras no fim da tarde, eu gosto de pensar que eu e o Marquinhos vamos nos casar e vamos fazer uma festa de casamento com muito guaraná. Eu fico feliz quando minhas irmãs e eu vamos dançar nas festinhas dos amigos. Fico feliz quando a chuva bate na janela de vidro e a gente canta as músicas famosas do disco de vinil da mamãe. Eu fico feliz quando a mamãe vem acordar a gente com cócegas nos pés e a gente já sente o cheiro de café na mesa e ouve suas músicas altas. Eu fico feliz até de ouvir aquelas músicas estranhas que mamãe ouve, mesmo quando eu faço coro com minhas irmãs pra mamãe trocar aquele disco brega (isso é puro teatro, porque as músicas da mamãe são na verdade, bem legais, e a gente adora cantar junto!). Eu fico feliz quando a vovó e as tias chegam na nossa casa com um monte de primas e elas vão cozinhar um almoço bem gostoso enquanto a gente vai brincar na rua e eu vou mostrar, orgulhosa, às minhas primas, os amigos mais legais do mundo, aqueles da vila militar. Eu fico feliz ao olhar pra vovó enquanto ela me chama de Pinguinho de Gente. Eu fico feliz com a vovó do meu lado, ou quando ela senta na sua máquina de costura pra fazer mais um babydoll pra mim. Sorrio com a mamãe, com meus irmãos e eu fico feliz em pensar que isso vai ser pra sempre.




Mesmo que o tempo passe.
Mesmo sendo triste.
Mesmo sabendo que vou sentir muita saudade dessas minhas felicidades tristes.
Mesmo assim, eu me sinto muito feliz com isso.
E sorrio.
Porque foi pra isso que vim ao mundo.
Pra agradecer esses momentos que me fazem hoje sorrir.
Enquanto choro.

Uma das músicas da mamãe

11/05/09

Meu Pé de Flamboyant

Todo mundo tem uma historinha de amor com uma árvore, um pé disso ou daquilo, não tem??
Eu tinha minha querida mangueira, a Julieta, tinha um lindo Flamboyant e aqui conta pra gente como era esse carinho e você, tinha um pé de que?

* * *

"O Pé de Flamboyant – da minha infância - era o meu passaporte para a felicidade e a minha identidade de criança. Nós fincamos as nossas raízes em um mesmo terreno e crescemos juntos. Ninguém sabia ao certo onde começava um ou findava o outro. Éramos unha e carne, parceiros e cúmplices, companheiros de uma infância feliz. “Carpe Diem” era o nosso código.

Naquela época, o tempo e o vento em conta-gotas contribuíam para o bailado que as flores executavam quando se desprendiam dos galhos, fazendo surgir em ondas vermelhas um tapete por onde rolavam as nossas emoções e a sutil arte de ser feliz, pois, de viver ninguém tinha pressa; colhíamos o dia para saboreá-lo à noite entre sussurros e risadas felizes.

O tempo se fez cupido dos meus sonhos: o meu pé de Flamboyant adormeceu em mim, e acordou hoje, trazendo lembranças que me fazem feliz outra vez.

Em seu tronco mais forte instalei um balanço – uma corda, uma tábua e um travesseiro - e eu, menina, alcei vôos inimagináveis... Pura fantasia, somente realizável pela inconseqüência da idade e do ser criança; muitas vezes eu subi em seus galhos com um prato de comida numa mão e um copo na outra, apenas, para olhar a cidade do alto de suas copas. Sentia-me feliz e poderosa... Era a felicidade em flocos de algodão doce tentando se misturar às nuvens para tomar banho de sol"...



musicas infantis - alecrim

07/05/09

Um Dia das Mães pra guardar no coração!

No outro blog, postei um pequeno concursinho, se você quiser participar, me escreva...
* * *

Dia das mães sempre tinha algo no bairro da gente. E esse tempo era o tempo que a gente era muito pequeno, num tempo que a gente ainda morava num bairro pobrezinho perto das minhas primas, filhas da tia Léa e a gente, como sempre, metidas a artistas, não perdíamos nunca nada que parecesse com um show.

Minhas irmãs e algumas das primas eram sempre as primeiras a participar do que surgia e eu, pra parecer também tão importante e bonita quanto elas, ia seguindo atrás. Até que a vergonha sumisse.

De um dia especial, eu lembro com saudade.

Éramos tão pequenas e víamos aquele palco enorme, de madeira no meio de uma pracinha no bairro. Já havíamos ensaiado as musiquinhas por muitos dias e no grande dia, lá estávamos todas nós, arrumadinhas, de cabelos organizados, vestidas de roupa de domingo e todas as mães do bairro já estavam lá, ansiosas pra ver o que tínhamos a mostrar.

Eu pensava que pra mamãe tudo era muito incrível. Eu imaginava que ela não tinha a menor noção do que iria acontecer ali. Mas é claro que mamãe já esperava musiquinhas, flores e depois das apresentações, bolo com guaraná.

Mas a verdade é que mesmo já imaginando, mamãe não tinha certeza do que viria e por isso mesmo, cada musiquinha era uma novidade. E começamos a cantar...

Ângela Maria & Agnaldo Timóteo - Mamãe



Num outro momento, subiram no palco minha irmã mais velha e uma outra menina. A minha irmã fazia de conta que era a filha e a outra menininha, era a mãe. E elas mantinham esse diálogo, em forma de musiquinha:

- "Mamãezinha, ontem à noite, um mocinho me falou, coisinhas bonitinhas que no coração ficou.
- Minha filha deixe disso que o seu pai já lhe ralhou!
- Papai não deve ralhar porque ele também já teve amor!
- Minha filha sua idade não permite ter amor
- Como foi que a senhora com dez anos se casou?
- Minha filha me casei mas estou arrependida...
- Eu caso e não me arrependo, coisa boa é um marido, eu caso e não me arependo coisa boa é um marido!"



As mães riam alto, dando gargalhadas da audácia da filha, minha irmã, com mão na cintura e batendo o pé. Uma musiquinha com uma letra que hoje em dia, dificilmente alguém cantaria... e ainda naqueles dias dos anos 70's, era mesmo uma coisa bem engraçada... Eu olhava orgulhosa a minha irmã, que sempre brilhou muito no palco, tendo luz própria. Aquela menininha definitivamente, não precisava de holofote, ela era a própria luz.

Depois delas e de algumas curtas pausas, era a nossa vez. E nessa noite bonita, de céu estrelado, depois de várias apresentações para as mamães, depois de uma e outra menina subir e cantar, dançar e fazer graça, já era a hora da apresentação final.

Estava nervosa antes de subir no palco, como sempre aquela sensação de que vamos fazer xixi invade todo mundo, mas ao colocar os pés nele, a gente esquece que pensou em ir ao banheiro, esquece que tava há poucos minutos com a testa molhada de suor do nervosismo... Um bando de meninas, agora nós, todas juntas, se reuniu no meio do palco e cantou uma musiquinha que não tem como esquecer.



Eu tenho a impressão de que estava sozinha no palco e essa impressão me acompanha até hoje, talvez nascida do nervosismo de cantar perante tanta gente e mais ainda, perante minha mãe!!

Mas a gente viu cada mamãezinha na platéia com os olhos marejadinhos, elas que riram durante toda apresentação com nossas letras engraçadas, palhaçadas e tropeçadas no palco velhinho, de madeira, no fim dessa musiquinha, estavam todas emocionadas, olhando pras suas filhas corajosas encarando um palco tão grande e cantando também emocionadas.



Corremos pros seus braços, cada uma procurando sua mãe na platéia, com flores nas mãos pra lhes oferecer.

E mamãe estava lá, de braços abertos para as suas três meninas felizes, bonita como sempre e com um esplendor no rosto que só vendo!!
...
...

É, é isso mesmo, tem coisa que foi feita mesmo pra ser eternizada, que não tem como sair do coração. Tem coisa que foi criada pra virar sentimento profundo mesmo. Tem coisa que nasceu pra nunca morrer. Eu acho que sentimento de mãe e filho é algo assim. Que deve ser imortalizado, que deve ficar guardado dentro da alma e que tem o poder mágico que corre através do tempo e que faz um filho homem, retornar ao seu tempo de menino. Porque a verdade é que você nunca é adulto perto da sua mãe. Você é sempre seu filhinho pequenino, necessitado de amor, carinho, atenção. E amor elas tem pra dar.

E isso é imortal!

Feliz dia das mães, mamãe!
E obrigada, obrigada, milhões de vezes, obrigada por tudo!

04/05/09

Era nós na fita!!

Assistíamos televisão, era um domingo e como todo domingo, gostávamos de ver O Fantástico. Em determinado momento, nossos olhos não conseguiam desgrudar da tv, a voz de Sérgio Chapelin apresentava algo novo às três irmazinhas, um grupo de meninos vindos de Porto Rico e que seriam nossos novos ídolos por muito tempo, dentro da possibilidade de nossos corações jovens e à procura de novos e impossíveis amores.

Já na segunda feira, de manhã na escola, descobrimos que não fomos somente nós que vimos o programa... todas as meninas pareciam estar enfeitiçadas. Só falávamos naqueles garotos lindo do dia anterior.

Aquele foi o primeiro de muitos dias, cheios de sonhos, pôsteres pelo quarto, figurinhas, revistas, danças, discos de vinil, mamãe louca de tanto ouvir Menudo, todo dia, toda hora, etc.


Já éramos fãs de Michael Jackson, adorávamos cantar e dançar imitando seus passos enigmáticos, mas já estávamos começando a cansar, até porque já tinha gente suficiente imitando-o pelo país afora. Então o Menudo veio na hora certa, e tinha meninos lindos pra todo mundo.
Eu logo me encantei pela beleza do Ray, a minha irmã mais velha pelo Robby e a mais nova, ficava entre o Roy, o Ray, o Charlie... todo dia mudava de amor! A gente às vezes até brigava:

- "Ahhh, o Ray é tão lindo!"
- Ora, tu não gosta do Roy??
- "Ahh, agora eu gosto do Ray!"
- Mas o Ray é meu...

Eu era tão apaixonada pelo Ray que na escola todo mundo sabia da minha paixão! Os cartões de natal dados pelas minha amigas, no fim de ano, vinham sempre com a inscrição: Espero que você encontre o Menudo!

Na hora da aula de música, eu adorava quando cantávamos "Andanças" com a Beth Carvalho, porque na parte que dizia: ..." Verso encantado, usei, meu namorado é rei, nas lendas do caminho"...todo mundo na sala olhava pra mim enquanto eu cantava: "meu namorado é o Ray"...


E como não podia deixar de ser e como éramos muitos artistas mesmo, desde muito pequenas, imitávamos o grupo. Treinávamos em casa os passos de dança, sabíamos tudo, cantávamos tudo... todos os amigos iam lá pra casa e fazíamos verdadeira selecão de meninas que iriam ter o prazer de dançar com a gente numa festinha qualquer. Toda festa de amigos, éramos convidadas a nos apresentar. E lá iam as três, orgulhosas, com roupas colantes, se apresentar nas festas.

Até que um dia...
...

Anunciaram que o grupo iria fazer um show em Manaus! O Menudo estaria em Manaus!!!!

Como havia muitos grupos de meninas que imitavam o Menudo, a televisão resolveu fazer um concurso, e quem ganhasse iria conhecer os meninos mais lindos do mundo pessoalmente!

Claro que toda a Manaus ficou em polvorosa, vários grupos se candidataram e nós, claro, estavamos lá. Nós três e mais uma amiga, a Audrey, ensaiamos por muito tempo e nos apresentamos. Fomos a sensação na tv Rio Negro de Manaus.
E fomos vencendo um a um os outros grupos. Havia um outro muito bom, onde a menina líder até parecia com o Ray! E ela era muito metida, se achava muito melhor que nós, falava mal da gente pelos bastidodes e só porque era rica achava que iria ganhar. Mas a gente se manteve firme e forte.

Foram dias e dias de disputa!

Estávamos na final, nós e ela. E sim, nós vencemos! Fomos as primeiras colocadas. A alegria que sentimos era para nós indescritível, nossa mãe ficou tão orgulhosa junto com nossos irmãozinhos mais novos, e parece que todo o bairro também, fomos recebidas com festa na nossa rua.

E mal podíamos acreditar que iríamos conhecer o Menudo pessoalmente.

O que infelizmente não aconteceu, fomos enganadas pela TV, ganhamos vários brindes, muitos mesmo! E os tickets pra o show. Mas Menudo mesmo, passou longe da gente...


No dia do show nossa raiva já havia passado e éramos reconhecidas no estádio, todo mundo nos olhava e nós, mais orgulhosas impossível, nos exibíamos passeando pelo gramado lotado de meninas eufóricas.


Nossos tickets davam direito a ficar bem pertinho do palco e foi com enorme emoção que vimos os 5 meninos lindos entrarem no palco. Gritávamos, chorávamos, dançávamos, pulávamos juntas, todas ao som de tantas músicas conhecidas por nós...

Perto do fim do show, eles chamaram cinco meninas pra subir ao palco e uma das minhas amigas foi chamada. Ela ficou do lado do Charlie (o Ray já havia saido do grupo) e ela falou pra ele que havia alguém no meio da multidão que os amava muito e que se chamava Nina Rosa. E ele, o Charlie, repetiu meu nome e pediu pra ela me dar um abraço.

Ele ouviu meu nome! O Charlie ouviu meu nome e no mundo todo, era só aquilo que importava...


Foi com esta música, foram com esses mesmos passos aqui embaixo, que ganhamos o concurso!


E essa emoção está viva até hoje dentro de mim...


30/04/09

Dentinho de leite, balões e vovós

Quando eu estava com cerca de 6 anos, minha mãe já morava em outra casa ,separada do meu pai. No início, antes de ela arrumar um trabalho e poder pagar um aluguel de uma casa, ela precisou espalhar a meninada pelos familiares. Minhas irmãs ficaram nas casas das tias Luisa e Emília, eu fiquei com a vovó e meu irmãozinho, que era ainda um bebê, ficou com a mamãe, mas não sei por onde. Depois que a mamãe arrumou um trabalho, ela foi juntando todo mundo e a gente viveu pobremente, mas feliz, numa casinha muito velhinha.

Mas eu ia sempre pra casa da vovó, já era hábito ir pra lá. Todo fim de semana minha mãe me levava pra eu ficar com a vovó. Eram dias felizes aqueles, entre minhas irmãs na nossa nova velhinha casa e na vovó.

Com seis anos, os meus dentes de leite da frente, começaram a amolecer. Um dia, brincando de balão com minhas irmãs na varandinha dessa tal casinha, eu, como sempre abestalhada, caí de cara no chão e os meus dentes foram junto comigo e por ali ficaram. Eu lembro do balão à gás indo embora pro céu, lembro do choro preso por perder os dentes e ainda o balão, comprado num passeio a pracinha no centro de Manaus. Minhas irmãs ainda tinham os seus balõezinhos e eu fiquei sem nada.

Antes de irmos pra casa da vovó, ainda olhei os dois lindos balões à gás, das minhas irmãs, subindo no máximo até o teto de zinco da cozinha. E eu sem meus dentinhos!

Chegando na casa da vovó, já meio tarde, minha mãe me deixou na porta da entrada e foi embora ver os outros filhos que ficaram na casinha. Fui bater na porta da vovó:

Toc toc!
- Quem é?
- Sou eu vó, a Nina.
- Pingo?? Não é a Pingo não!
- Claro que sou eu vó.
- Mas essa não é a voz da Pinguinho...
- Vó, sou eu sim, abre que a senhora vai ver porque minha voz tá diferente.

Ao abrir a porta, meio desconfiada, vovó percebeu os dentinhos em falta, esboçou um riso e eu chorei na mesma hora, pela falta do balão e dos dentes, me sentindo feia, muito feia e desengonçada. Mas ela falou, me abraçando, que os meus dentes velhinhos precisavam ir embora, porque só assim, os outros novinhos poderiam vir e eles seriam lindos.


E vovó Laura, a minha doce vovó Laura, tinha razão. Eu acho até que os meus dentinhos foram embora com os balões pro céu diretamente, pra encontrar com a fadinha dos dentes.

Nada como um abraço e carinho de vó.


Balão Mágico - Superfantástico