13/11/08

Historinhas de terror na pracinha

Depois de um dia inteiro de brincadeiras na rua, era hora de ouvirmos os gritos da mamãe pra entrarmos em casa, porque já era tarde, mas um dia inteiro nunca era suficiente pra nós. E era exatamente nesse momento que alguém inventava de contar histórias de terror.

E entre os gritos da mamãe avisando que já era hora de entrar, e os olhos de medo ao ouvir as histórias de terror que alguém contava, ficávamos na pracinha em frente a nossa casa, com medo. Assustados. Incapacitados de dar um passo em direção à casa.

Mamãe continuava chamando por nós, e nós lá, enfeitiçados com as histórias que a cada noite ficavam piores e mais assustadoras.
Tinha alguns amigos que já estavam se especializando em contar coisas verdadeiramente pavorosas, toda noite, na pracinha da rua C.

E a turma toda se reunia pra ouvir.
E conforme as noites de terror iam se passando, a mamãe começou a nos chamar na hora certa, e eu tinha tempo de ir pra casa e ficar sob os cuidados da mamãe. Sã e salva.

Mas era no apagar das luzes do quarto que eu via os monstros sem cabeca, os cabelos das bruxas esvoacantes, a risada da mulher que morreu e vinha assustar a filha má no quintal da casa velha, a cabeça da caveira no fim da tarde, o boto, a mula sem cabeça...

e era com alegria que percebia que uma nova fase começava na vila e aquelas histórias de terror na pracinha já não eram mais contadas, porque a turma já tinha um outro novo interesse. Gracas a Deus!