27/04/09

Florinha

Minha mãe estava sempre brigando com a gente porque dizia que éramos muito danados. De vez em quando tinha surra lá em casa porque ela não queria papo com a gente, não queria saber de matinho debaixo da língua, não queria ter paciência de sentar e conversar, ela queria era dar umas boas palmadas na gente. Mamãe dizia que a gente era muito, por demais, danados!

Aí então, um dia, a gente, muito curioso, foi procurar saber, porque afinal mamãe batia tanto na gente. Fomos perguntar a nossa vó, mãe dela. A vovó Laura começou a falar que ela também apanhou muito do pai dela. Tinha até a história que pra gente, mais parecia de terror, que vovó contava que o pai dela batia de tamanco na cabeça dela... aquilo era um horror, ficávamos tremendo só de pensar na vovó pequeninha, apanhando covardemente de tamanco do bisavovô. Aquele bisavovô malvado!

Mas a vovó dizia que ela merecia, e que foi assim que seu pai aprendeu a lidar com menino danado.

Então, a vovó começava a lembrar da minha mãe, de quando ela era criança.

" - Minhas filhas, sua mãe era terrível!! Vivia na rua com os moleques. Ela não queria nem saber de bonecas, brincar de casinha, não queria saber de nada que as outras irmãs brincavam, só vivia na rua, dando porrada nos meninos, brincando de empinar pipa, de bolinha de gude, vivia suja e mais parecia um moleque do que uma menina... Aquela Flora era danada! Não entendo porque ela bate em vocês"...

- Vó, ela diz que a gente é muito danado!

- Aahh e ela??? Pergunta pra ela se ela lembra como ela era, aquela molequinha de rua.

...

- Mãe, a vovó disse que a senhora era muito danada, é verdade?
- Iiihhh eu era mesmo! Vivia na rua com os moleques...

E assim trazíamos minha mãe de volta ao começo. Ela começava a contar das confusões que aprontava. Do quanto era boa com as bolinhas de gude, de como fazia a linha do cerol pra pipa, de como na luta com a molecada ela era quem ganhava, de como na escola de freiras, fugia pulando a janela, de como as freiras ficavam loucas com sua danações...de como batia nos irmãos que iam contar pra vovó de suas traquinagens na rua, de como ela achava que os irmãos, meninos, tinham era inveja de sua força e coragem...

Minha mãe contava isso com muita alegria e a vovó ficava rindo junto com ela.
As outras irmãs que eram mais velhas que mamãe, também riam junto e diziam que mamãe era muito mais danada que qualquer um de nós.

Tentávamos em outros dias lembrar a mamãe disso, que ela era mais danada que todos nós juntos, mas pra mamãe, quando ela estava com raiva, não tinha conversa não, só a palmada funcionava! A surra!

Afinal foi assim que ela aprendeu.

cely campelo - estúpido cupido


13 comentários:

Su disse...

Bom diiia!!!
Eu gosto muito de vir aqui, sempre me identifico com uma história minha de quando eu era criança. É como sentar no sofá da minha sala e ver a mamãe contando nossas peripécias (minha e do meu irmão) aos meus sobrinhos. É uma delícia!! rs
Eu tbm era meio molecota assim, não queria saber de bonecas. Meu negócio era ir para rua brincar de carrinho, de pipa, de bolinha de gude. Também na minha rua tinha mais meninos que meninas, eram só três garotas, (eu e mais duas), o resto era tudo menino. Então, eu acabava indo brincar com eles na rua!! rsrsrsrsrsrs... Eu era o terror tbm... rsrs...
Era muito divertido!!!^^
Ô sauudade!! rs
Beijos, querida!!

Chris disse...

Ih, imagino a situacao!! hehehe Tal mae, tal filhos!! Talvez aquele ditado "Casa de ferreiro, espeto de pau" sirva! Sua mae a rainha dos danadinhos, mas todo mundo tinha que ficar quietinho! hhihihih

To de volta de novo! rsrs

bju bju

Lidiane disse...

Olha, minha teve muitas atitudes que eu não concordava quando era criança. Hoje, sou absolutamente a favor de algumas e completamente contra outras. Eu acho que crianças são danadas mesmo, afinal, estão conhecendo o mundo, se desenvolvendo... Não acho legal bater, dar palmada por conta disso. Acho que deve-se repreender, castigar, deixar sem algo que a criança goste, essas coisas...
Bater, só em caso extremo.

Porém, cada um com seu cada qual. E eu também apanhei um bocado quando criança. Nem por isso morri.

Hehehehehe

Um beijo.

Patricia B. R. disse...

aaai, que mãe safadinhaa! Meu pai também era terrorista assim! Todo mundo que trabalhava na casa da vó não aguentava muito tempo e pedia demissão... ele corria atrás delas e elas chegavam até a subir nas árvores pra fugir! Dá pra acreditar? Ele batia em todos os irmãos.. uma vez meus avós mandaram ele pro internato, pra ver se melhorava! Mas ele nunca encostou um dedinho nas filhas..

E ei, Nina.. meu casamento vai demorar muito!! Minha irmã sempre quis casar, eu também quero muito, mas não quero logo! Dá um medinho, sabe?

Boa semana! Um beijo.

Ana Filipa Silva disse...

Deepak Chopra diz que "Possuímos um sistema nervoso capaz de reconhecer o conteúdo de energia e informação do campo localizado que dá origem ao nosso corpo físico. Possuímos a experiência subjectiva desse campo, sob a forma dos nossos próprios pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, memórias, instintos, impulsos e crenças."
E o que isto tem a ver com o seu maravilhoso post? Ora, no campo de informação do sistema que a vossa família forma existe um conteúdo que todos têm acesso, sem saberem racionalmente, mas sentindo-o. Parece que de geração para geração essa energia da "palmada" passou, mesmo não se sabendo das histórias que souberam entretanto.
Para saber mais acerca desta abordagem, podem visitar o Universo Constelações em Universo Constelações da Blogspot.
Beijos e até breve!

C. S. Muhammad disse...

Hahaha. Essa história parece a da minha mãe também... ela era muito brava, principalmente com notas baixas no boletim. Mas um dia ela me contou que repetiu a 5a. série três vezes, porque ficava fazendo bagunça e desenhando (parece alguém aqui deste blog, que desenha sempre) na sala de aula, ao invés de prestar atenção.
Essas mães... tão danadinhas!

Nina disse...

Olha a mae da Pati, meu Deus, tbm era um terror,ahahaha

A Su era a própria "molequinho"...

Pois é Chris, por isso que o sol ta falando lá em cima o que a mamae sempre dizia, ela tinha pavor que falassemos dos outros, porque um dia teriamos nossos filhos e ai... ja viu ne???

ta vendo Muhammad, nossas maes nao deveriam ter cobrado tanto da gente ne? elas eram piores que nos, aaahhh mamaes danadas!

Lidiane e Ana Filipa, minha vó apanhou, minha mae apanhou, eu e meus irmaos apanhamos MUITO, pegamos muita surra! Muita mesmo! Mas nenhum de nós (todos temos filhos) nunca pusemos as maos sobre nossos filhos! Nunca bati nos meus meninos. Nao vejo razao pra isso. A maldicao acabou, muááááá!!

Clara disse...

Ah!! eu apanhei não foi tanto mas apanhei,corria o quintal todinho era grande e minha mãe atras com a chinela rsrs!!!
mas não concordo com a surra não.
A Lara fica muito de castigo coitada..mas ela merece !!!
beijo nina!!

I. Monique disse...

Vc se superou nos desenhos dessa postagem Nina!! Amei!! Esse "já vou" soa tão familiar pra mim...já apanhei muito tb por conta dessa teimosia!!! rsrsrs

E quer saber?? Nem por isso cresci revoltada!! Muito pelo contrário. Acho que umas palmadinhas são necessárias mesmo. Claro, desde que sejam sem exageros neh!! rsrsrs

beijos

Nina disse...

Clarinha, tbm uso de castigo aqui com os meus, eles entendem tao numa boa, acho incrivel :)

Chuvisquinho querida :) tu tem cara de ter sido mesmo mt levada da breca, obrigada pelas palavras lindas em relacao ao desenho, é a minha mae que me inspira :) com relacao a bater ou nao, cada qual sabe do seu cada qual, né? lá em casa, TODO mundo apanhou e mt, e nenhum é revoltado, como vc disse. Mas acho que a gente apanhou tanto que ficou com trauma, e os netos da Florinha se deram foi bem nessa...

a questao da palmada, eu fico pensando que é ruim, porque a linha entre ela e o espancamento é mt tenue, qd vc comeca, e se vc ta com mt raiva do molequinho na sua frente, uma palmada pode gerar coisas mais graves, é isso que eu acho ruim em bater...

Um beijo bem grande no coracao de cada um!

Ciça Donner disse...

Tal mae, tal filhos, tal netos... ah mas isso nao acaba mesmo !!!

Biana França disse...

Nina, eu tbm tomei muita surra, do meu pai e minha mãe. Descobri que minha mãe era uma danada, igualzinha a sua. Só gostava de rua, bola de gude, subir em árvore e batia em todo mundo. Mas quando a raiva baixava não adiantava (como vc disse) apelar para a razão e lembrá-las que elas tabm eram danadas, como diz meu pai:
Não tinha blémblén, nem blimblim, é xulept, xulept. kkkkk.
Bjus

Márcia disse...

Nina querida,
Que post mais engraçadinho, se não fosse, é claro, dolorido.Interessante esta pesquisa que vcs fizeram para averiguar porque sua mãe usava as palmadas para dar um jeito na situação. Nossos pais (e nós mesmos) sempre lidamos com o mundo a partir das lições e ferramentas que nós tivemos em algum momento da vida. Tenho a mais absoluta certeza de que as palmadas doiam mais na sua mãe do que em vocês... e que o amor sempre acompanhava.
Super beijo.
Márcia

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