Minhas irmãs dançavam tudo que aparecia e eu que era muito tímida nessa época, resistia a tudo pra não aparecer.
A tal professora bruxa tinha que treinar a nossa sala pra tal quadrilha. Todo dia era um martírio pra mim, ensaiar aqueles passos desengonçados. Eu me sentia a pessoinha mais ridícula do mundo treinando aquelas bobagens em sala de aula.
A bruxa arrastava as cadeiras todas contra as paredes e lá íamos nós, os lesinhos, pular no meio da sala de aula, fazer caracol, passar por debaixo da ponte, desviar o caminho da chuva.. "olha a chuva! oohh, é mentira! oohh"
Professora bruxa abestalhada!
Eu odiava com todas as minhas forças aquela marmota de dança! E já havia falado que não queria dançar, logo no início, alias, eu tremia quando começava junho, só por causa da quadrilha, mas como poderia convencer à professora? Ninguém me ouviria. Ninguém nunca na verdade, parou pra me ouvir...
Eu ensaiava todo dia aquela porcaria de dança, me sentindo todo dia cada vez pior. Era muita humilhação fazer parte daquele circo de meninas e meninos cheios de sardas falsas pingadas na bochecha, de dentes pintados de preto, entre chapéus de palha e remendos, laçarotes e bandeirinhas coloridas...
Até que no último dia de ensaio, um dia dia antes da quadrilha se apresentar, eu saí de casa decidida a dar um fim naquela papagaiada toda.
No meio do ensaio, já na fila de meninos e meninas separados pra começar a roda, eu gritei com a professora que não dançaria aquilo de jeito nenhum, que eu odiava aquilo tudo. Gritei com tanta força e coloquei tanta veracidade naquilo, que só restou a professora bruxa aceitar a minha decisão, não antes de ficar reclamando de mim e de comentar com tom arrogante "o quanto a Nina Rosa é diferente das irmãs tão lindas e quase profissionais da dança".

Não lembro o que me aconteceu depois disso, certamente levei muita peia da mamãe ao chegar em casa, certamente minhas irmãs brilharam na quadrilha, talvez tenha quebrado o coração do meu par na dança, só sei que com certeza, eu me senti vingada da bruxa, falei pela primeira vez o que eu realmente queria, comi as comidinhas típicas na festa como convidada e...
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Aprendi anos depois que no fundo no fundo, dançar quadrilha é bem divertido.
Luiz Gonzaga - Olha pro Céu
12 comentários:
Nina também não era muito de dançar quadrilhas tinha amiga minha que dançavam em mais de uma...mas eu gostava dessa epoca alias eu gosto das barracas das comidas das musicas hj me divirto demais nas festas da Lara na escola.
kkkkk mas a professora bruxa hein que raiva da pobrezinha kkkkk !!!
beijo menina !!
Eita, Nina!! È só vim aqui que é nostalgia na certa, rsrs... E com essa música de quadrilha, então!! Viva Luis Gonzaga!! rsrs...
Eu sempre gostei de festinhas de São João, de dançar quadrilha, de maçã do amor, de canjica, amendoim cozido e tudo que dessa época de forró.. rsrs...
Bom, eu acho que nunca encrenquei para não dançar, eu sempre fui "pra frente" mesmo, rsrs... Eu só nunca fui noivinha de festa junina, sempre era a loirinha bonitinha da sala... rsrs.. Mas dançar quadrilha, era comigo mesmo... rsrs... Ô sauudade!!
Por que as professoras da 3ª série, são sempre umas bruxas??!!:S
Beijos, Flor!!!
O pior também quando ñ tem par e eles colocam menina com menina e menino com menino....Isso é de matar!!!!!!!!!!
Ah Nina Rosa, que menina mais sapeca. Imagino seu sofrimento nina. Assim como a Su e como boas geminianas que somos, sempre adorei as festas juninas, dançar era comigo mesma. Tinha um boizinho mixuruca fazendo um barulhinho e lá ia a Dani pro meio do boi fazer a festa. AS vezes minha mãe dava entrevista rpa tv e tudo pq ela tinha aquela cirança tão dançarina daquele jeito. Era mutio divertido e eu adorava aparecer. Só odiei um ano na escola( será que foi terceira série? kkkk) em que tive que dançar uma tal dança do boiadeiro. Aquilo não fez o menor sentido pra mim. Se fosse quadrilha, bumba boi, cacuriá, dança do coco, qualquer coisa eu ai na boa, mas dança do boiadeiro?? Odiei, fiquei vestida tipod e menino, uí. Foi péssimo. Queria que aquilo terminasse oq aunto antes. E meu par era um bocozão o qeu me deu masi ódio ainda. Devia ter tido sua coragem Nina.
Um beijo bem grande e brigada por me trazer essas lembranças tão gostosas!
Sabe que eu tbm choro de saudade ao ouvir essas musicas? E muito lindo!! Mas tadinha da Nina naquela puxa puxa de roda e tunel!! hahaha
Eu tbm nao era chegada a dancar nao, mas sempre fui apaixonada por tudo que tem na quadrilha! Amo de paixao o cheiro de rojao, de comida tipica, cada coisa mais gostosa que a outra! A musica entao nem se fala! O som da sanfona e bom demais, o triangulo no fundo... aii e muito bom!
E o melhor! Sendo como convidada! =]
bjks
lindo o seu blog!!!
O Brasil é tão extenso, seus estados tão diversos, tão ricos em seus próprios costumes, mas algumas coisas são tão iguais... Nunca entendi direito esta coisa de quadrilha. Gosto das músicas, de algumas comidinhas, mas nunca morri e nem morro de paixão pela época de festas juninas, apesar de ter dançado e dançar quadrilha numa boa. Recordei-me no entanto de um desfile de 07 de setembro. Eu representaria o estado da Bahia, e na minha cabeça vestiria algo do tipo Carmem Miranda, numa roupa emprestada por minhas amigas. Eis que a professora de artes, que até então eu amava, trouxe-me uma roupa horrível (parecia uma cortina velha - azul-branca-verdão gritante), de uma típica bahiana, ela dizia. Por Deus do céu!!! Eu nunca vestiria aquilo. Procurei apoio nos meus pais, a única coisa que ouvi de meu pai, era que meus argumentos eram bobagem. Também não me senti ouvida, respeitada. Chorei profundamente. Queria muito desfilar representando os estados, mas aquela roupa era um verdadeiro desastre. Não tive coragem de afrontar a professora (que nunca soube o motivo da minha desistência, presumo). Mas não ousei afrontar-me, com aquela roupa eu não iria. Coisa de criança, talvez, mas algo naquela roupa mexeu profundamente comigo. Definitivamente não iria com "aquilo", temia desesperadamente ser alvo do rídiculo, chacota. E nos minutos finais troquei de lugar com minha amiga (a irmã da dona da roupa magnífica da Carmem Miranda), senti-me salva, aliviada e desfilei numa outra posição qualquer feliz da vida... Qual não é minha surpresa, que no dia do desfile surge minha amiga vestida de nada mais nada menos: Carmem Miranda... Ela resolveu a questão do modo mais simples possível, não discutiu com a professora, mas também não levou a roupa dela no desfile... rs Fantástico!!!! Nunca fui muito de transgredir as regras impostas pela escola, pelos meus pais, e às vezes faltou-me olhar o mais simples a fazer, sem ter que afrontar ninguém... Mas o fato que chamou minha atenção na sua história, é o quanto Manaus e São Paulo, tão distantes no mapa, podem estar tão unidos, no quesito de não ouvir e não respeitar as vontades de criança... (((Lembro-me da roupa horrível até hoje... rs Não sei dizer o que me afrontou tanto aquele pedaço de pano, mas nem mesmo hoje eu a vestiria!... rs)))
Beijos de pé de moleca, serelepe, sapeca!
Abraços da roça, sabor de paçoca!
Com carinho,
Lu
Nina Querida
É mesmo uma fase de muitos aprendizados e encantamentos, né?
Fiquei muito feliz com a sua visita. Amanhã saboreio a pipoquinha...hum!!!
Ainda sobre o ouvir, dá uma espiada no Luares, no texto: Quem ensina quem, publicado em 27-08-2008. Fatos reais, engraçados e muito didáticos...
Ouvir é algo precioso. Respeitar mais ainda.
Você que está aí na Alemanha, já leu Momo? É do autor Michael Ende, tem até um museu dele por aí. É uma estória deliciosa, para crianças (penso, perfeita para todas as idades), sobre amizade, sobre ouvir, sobre o tempo. Em português o título é Manu, a menina que sabia ouvir.
Vou procurar o que você sugeriu.
Beijos saltitantes e salgadinhos...
Lu
foi bom conhecer teu blog, gostei daqui.
Tenha um ótimo dia.
Muito bom o post.
Maurizio
Oiii minina feliiiiz!
nooossa sempre dancei quadriilha, muito legal!
tava escultando uma histórinhaaas muito legal, lembra minha infância, minha mãe trabalha em uma creche.. as vezes vou pra lá só pra contar historias pro meninos!!
"cesto que cesteiro me deeeu..."
bjoo virei seguidoraa!
Olá!
Bom dia!!!
Só passando para desejar uma sexta feira cheia de coisas boas!!!Beijos!
Fique com Deus.
Nina, a barreira era a timidez e não a quadrilha em sí.
Estou parecendo um Doutor Verdade, mas coincidentemente acontecia isso comigo também. Minha timidez me proporcionava ser desajeitado, feio, gordinho, etc... Até que um professor de Educação Física (acho que percebendo meu jeito) me intimou a jogar voleibol. Mas o danado soube chegar em mim. Conversava comigo todos os dias. Me fazia assistir filmes sobre o voleibol e depois discutir com ele. Bom, resumindo senão vira uma carta isso aquí, treinei o voleibol, joguei no time do colégio, joguei num clube de São Paulo e fui tri campeão paulista da modalidade. A timidez foi embora e a vida ficou mais fácil para mim.
Hoje quando vejo aquele gordinho ou gordinha num canto em festas de escola, corro pra perto dele(a), arrumo conversa e começo enchê-los de elogios. Dou uma empurrada imitando meu amigo Professor.
Nina, adorei a postagem. Beijinhos de timidez. Manoel.
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