Simplesmente uma menina feliz que tem uma família feliz, que morou na vila militar mais feliz do mundo, lá pelos anos de 1983/85 em Manaus e que adora lembrar as coisas bonitas que viveu. Se você também é um menino (a) feliz (a) apaixonado (a) por essa época linda que foi a sua infância e tem uma historinha pra me contar, me escreva! Eu posto sua historinha e ainda posso fazer um desenho desses meus bobinhos aí pra você. Seria um prazer ter a sua participacão!
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Costurando a minha colchinha de retalhos
Tem coisas que a gente lembra. Tem coisas que a gente não vai lembrar nunca. Tem coisas que a gente preferia esquecer pra sempre. Tem coisas que a gente não lembra porque não as viveu. Tem coisa que a gente não quer esquecer jamais.Tem tanta coisa que a gente tem dentro da gente. E todas essas coisas, pedacinho por pedacinho é o que a gente é. Humano é feito de pequenos pedaços, é como se cada pessoa do mundo fosse uma colcha de retalhos. Começamos pequenos, e a cada pedacinho de experiências vamos aumentando o tamanho. Costurando nossa retalhos pouco a pouco. E cada colcha se torna um outro pedaço de retalho, que vai se costurando a outros pedaços que encontramos pelo caminho. E assim todo o mundo vira uma grande colcha de retalhos. Viva, cheia de cores, de linhas entrecortadas. De flores, coraçoes. Espumas. Linhas e agulhas. Cheia de lembranças que movem o mundo de cada um, o mundo de todos.
Uma das partes da minha colcha começou a ser costurada quando lembrei do meu avô.
"Na fogueira do que façopor amor me queimo inteiro.Mas simultâneo renasçopara ser barro do sonhoe artesão do que serei.Do tempo que me devorame nasce a fome de ser.Minha força vem da frágilflor ferida que se entreabreresgatada pelo orvalhoda vida que já vivi.Qual a flama que dareipara acender o caminhoda criança que vai chegar?Não sei. Mas sei que já dança, canção de luz e sombra,Na memória da esperança".
Thiago de Mello
Era uma mulher feia, que tinha um sorriso largo e debochado no rosto e uma bunda não sei porque, muito, muito grande, aumentada com enchimento. Ela metia medo na gente, muito medo. Corria pelas fileiras do boi bumbá, fazendo barulho, muito barulho, assustava as criancinhas que estavam de fora assistindo o boi passar.
"Lá vem a Catirina", gritavam outras crianças e a gente se escondia por debaixo das pernas da mamãe. Ela vinha com sua aterrorizante cara alegre pra nos assustar, sua maquiagem borrada e sua peruca. Os olhos brilhavam e o lábio pintado de um extremo vermelho dava mais medo ainda. E sua risada mais lembrava a de uma bruxa doida.
Até que víamos o boi passar e por debaixo do boi, estranhávamos os pés de homens, arrastando e balançando o "boi". Os chapéus dos brincantes tinham muitos brilhos, verdes, vermelhos, azuis, dourados. Eles tocavam o tambor pra o boi passar, contando as histórias do boi e da grande fazenda. Mulheres giravam pelas ruas de nossa casa com sua saias rodadas, eram as sinhás e sinhazinhas, as cunhãs, era a cunhã poranga, a mais bonita índia dali...
Todo junho era assim. A gente ouvia de longe os tambores tocando, descendo pela rua, já de longe, sabíamos que ele estava vindo. Ficávamos em estado de graça, numa alegria entusiasmada, misturada com o medo de encontrar a Catirina mais uma vez.
"Olha o boi! O boi tá chegando!!" E a gente corria pra rua, pra noite iluminada pelas estrelas de São João e com o brilho sempre presente do boi, todo mundo em frente às suas casas pra ver o boi passar. Mamães, vovós, primos, vizinhos, amigos, todo mundo.
A gente gritava o nome da Catirina doida pra ela ver a gente e quando ela vinha com sua bunda gigante pra rir com sua risada debochada, a gente gritava de medo e saia correndo pela rua apavorados. Às vezes, corríamos pelo meio dos brincantes, pra fugir assustados da Catirina, aquela bunduda doida que queria comer a língua do coitado do boi.
E a gente seguia o boi até as outras ruas, como se enfeitiçados pelo batuque e pelo brilho do desfile, até que a Catirina ia embora rebolando, até o próximo junho do ano que vem.
Era assim antigamente em Manaus. Quando ainda não havia a festa comercial em Parintins, do Boi Bumbá. Era assim antigamente quando ainda não havia claramente pra nós nem o Caprichoso nem o Garantido. O boi era o boi e só e desfilava pela ruas da cidade, pelos bairros pobres, trazendo alegria, música de batuque, letras de florestas encantadas, índios, mulheres guerreiras, coloridos e brilho, muito brilho... hoje, ele só faz parte das lembranças de algumas meninas.
Eu conheço a história do Caprichoso e Garantido, mas assim sem um detalhe infantil, apenas com os olhos de uma estudante de história, rssr.... Eu imagino como deve ser deliciosa as festas juninas daii, a imaginação infantil cria asas!!! Beijos, Nina!!!
Eu acho que, de certa forma, a elitização da coisa fez bem para Manaus em um aspecto: a cidade recebe muitos turistas nessa época do ano, deve fazer um bem danado saber que mais e mais pessoas se interessam pelo Norte. Assim como faz pra mim ao perceber que quase não há mais preconceitos com a nossa terra que, aliás, é o pulmão do mundo.
E interessante esse folclore de raiz mesmo, do simples, que une o povo da regiao. Eu acho bonito, apesar de nao gostar na pratica. Na minha cidade tem a Folia de reis, que as pessoas se vestem dos mais estranhos bixus. Agora a Catirina bunduda eu nunca tinha ouvido falar! kkkkkk Mas e bom saber mais um pouco desses personagens que nosso Brasil tem.
Ai Nina, eu dei risada do primeiro desenho... É impressionante como estes personagens cativos nos marcam a memória (será que a Pequena Nina tinha pesadelos com a bundona da Catirina?) e dão um colorido especial na nossa infância... Talvez seja pretensão em demasia, mas sou levada a acreditar que crianças de interior (pelo menos as de antigamente)são agraciadas com o dom da simplicidade, curiosidade e liberdade... Bjim!
Nina amei os pés aparecendo debaixo do boi e a meninas se escondendo atrás da mamãe!!rsrsr Que felicidade a sua ter crescido respirando cultura e arte!
Ah, aqui no Maranhão também é tempo de boi, mas é o bumba-meu-boi! Aqui ninguém tem medo da Catirina, todo mundo quer é que ela fuja com o Pai Francisco; mas quer também que eles fujam, sem serem pegos pelo amo da fazenda!
Ei Su!! realmente, ver as coisas pelos olhos de uma crianca é de uma beleeeeza...
Sim, Lidi, é bom pra Manaus, apesar de que o boi que o Brasil conhece acontece na ilha de Parintins, mas acaba sobrando pra Manaus, claro. Atrai mt turista. Ontem mesmo, uma amiga me falou que vai pro boi em parintins, e prometeu pensar em mim :)
Chris, eu confesso que tbm nao sou mt fã de folia nao, mas essa festa que acontece em Parintins é MUITO bonita e emocionante.
Sim, Marcinha, tinha medo e muito provavelmente tbm pesadelos com ela :)
Carla, sabe? eu achava o contrario, que faltou mais arte na nossa vida infantil, mas pensando bem, a gente realmente, sentia no ar a arte que nos envolvia. eu estava apenas, enganada. tivamos uma infancia mt interessante mesmo!
E como Clarinha, e como...
Gisele, isso só acontecia antigamente, nesse boi de rua, porque era meio que na brincadeira que o boi desfilava, e a Catirina brincava de assustar as criancas (coitados de nós), mas a história é exatamente como no Maranhao, até hoje.
Nina, aqui em Floripa também temos o boi.. ele vem acompanhado da Maricota, da ernunça e de mais algumas figuras folclóricas, também em junho. A ilha é cheia de tradição. Eu já fui a bernunça no colégio.. era a mais legal, porque todo mundo ia pra baixo do pano dela.. e ficavam vários pézinhos, como uma centopéia! Lembrança gostosa.. Beijão Nina
9 comentários:
Eu conheço a história do Caprichoso e Garantido, mas assim sem um detalhe infantil, apenas com os olhos de uma estudante de história, rssr.... Eu imagino como deve ser deliciosa as festas juninas daii, a imaginação infantil cria asas!!!
Beijos, Nina!!!
Eu acho que, de certa forma, a elitização da coisa fez bem para Manaus em um aspecto: a cidade recebe muitos turistas nessa época do ano, deve fazer um bem danado saber que mais e mais pessoas se interessam pelo Norte.
Assim como faz pra mim ao perceber que quase não há mais preconceitos com a nossa terra que, aliás, é o pulmão do mundo.
Um beijo, querida.
E interessante esse folclore de raiz mesmo, do simples, que une o povo da regiao. Eu acho bonito, apesar de nao gostar na pratica.
Na minha cidade tem a Folia de reis, que as pessoas se vestem dos mais estranhos bixus. Agora a Catirina bunduda eu nunca tinha ouvido falar! kkkkkk
Mas e bom saber mais um pouco desses personagens que nosso Brasil tem.
bjus
Ai Nina, eu dei risada do primeiro desenho... É impressionante como estes personagens cativos nos marcam a memória (será que a Pequena Nina tinha pesadelos com a bundona da Catirina?) e dão um colorido especial na nossa infância... Talvez seja pretensão em demasia, mas sou levada a acreditar que crianças de interior (pelo menos as de antigamente)são agraciadas com o dom da simplicidade, curiosidade e liberdade...
Bjim!
Nina amei os pés aparecendo debaixo do boi e a meninas se escondendo atrás da mamãe!!rsrsr
Que felicidade a sua ter crescido respirando cultura e arte!
HA! HA! HA !!!!
Que legal Nina, menina mas vocês sabiam se diverti né ? gostei da mamãe tá muito linda!!
beijos !!!!!!
Ah, aqui no Maranhão também é tempo de boi, mas é o bumba-meu-boi! Aqui ninguém tem medo da Catirina, todo mundo quer é que ela fuja com o Pai Francisco; mas quer também que eles fujam, sem serem pegos pelo amo da fazenda!
Ai, nosso folclore é tudo!
Amo!
Um cheiro.
=*
Ei Su!! realmente, ver as coisas pelos olhos de uma crianca é de uma beleeeeza...
Sim, Lidi, é bom pra Manaus, apesar de que o boi que o Brasil conhece acontece na ilha de Parintins, mas acaba sobrando pra Manaus, claro. Atrai mt turista. Ontem mesmo, uma amiga me falou que vai pro boi em parintins, e prometeu pensar em mim :)
Chris, eu confesso que tbm nao sou mt fã de folia nao, mas essa festa que acontece em Parintins é MUITO bonita e emocionante.
Sim, Marcinha, tinha medo e muito provavelmente tbm pesadelos com ela :)
Carla, sabe? eu achava o contrario, que faltou mais arte na nossa vida infantil, mas pensando bem, a gente realmente, sentia no ar a arte que nos envolvia. eu estava apenas, enganada.
tivamos uma infancia mt interessante mesmo!
E como Clarinha, e como...
Gisele, isso só acontecia antigamente, nesse boi de rua, porque era meio que na brincadeira que o boi desfilava, e a Catirina brincava de assustar as criancas (coitados de nós), mas a história é exatamente como no Maranhao, até hoje.
Um beijo gente querida.
Nina, aqui em Floripa também temos o boi.. ele vem acompanhado da Maricota, da ernunça e de mais algumas figuras folclóricas, também em junho. A ilha é cheia de tradição. Eu já fui a bernunça no colégio.. era a mais legal, porque todo mundo ia pra baixo do pano dela.. e ficavam vários pézinhos, como uma centopéia! Lembrança gostosa..
Beijão Nina
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