23/06/09

Você também teve??

Se havia uma fase que eu odiava era a Época do Piolho!!
Não tinha um que passasse por ela são e salvo, todo mundo na rua ou na escola pegava piolho junto. Todo menino aparecia de cabeça raspada e as meninas, de cabelos levemente mais curtos. Algumas traziam o cheiro forte do remédio usado na noite anterior. E de vez em quando, numa reincidência, as cabeças voltavam a coçar na sala de aula, no recreio, na volta pra casa. Tinha moleque que sofria!
Manaus é aquela cidade horrivelmente quente, as meninas gostavam de ter cabelos compridos, não saiam da rua, viviam no meio de outras muitas crianças, então, não havia outro jeito. Piolhinho fazia a festa! Pulava alegremente de cabecinha em cabecinha, procriando.

Lá em casa não era diferente. Quando um aparecia coçando a cabeça, lá vinha super mamãe armada contra os terríveis visitantes.
Ela fazia uns preparados malucos e nós éramos suas fiéis cobaias. Um dia era um remédio da drogaria, no outro, um preparado de folhas, mas o que mamãe achava mais eficiente faria qualquer mãe de hoje em dia chamar a minha de louca, perturbada, irresponsável, doida varrida: mamãe passava o pente fino com toda a força nas nossas pobres cabecinhas, puxava até pensamento junto com cabelos e piolhos, depois, fazia um furo na latinha amarela, o bendito Nelcid e dizia aos berros: - Fecha o olho menina, porque isso é veneno!! Depois de alguns segundos, com a cabeça branca do pó, mamãe fazia nossa cabeça gelar colocando algumas gotas de vinagre, que algumas vezes, quando a mamãe já tava com bastante raiva dos famigerados, escorria pelos nossos olhos. Metia um lenço na nossa cabeça e nos obrigava a ficar com aquele lenço ou fralda nas cabeças por meia hora!!

Nesse meio tempo, a cabeça coçava desesperadamente, podíamos ouvir os gritinhos de morte dos piolhos se muitos nos concentrássemos. Não podíamos tirar o lenço em hipótese alguma, com o risco de os pobres não morrerem ou que a mamãe matasse os bichinhos no cascudo!

Depois do tempo previsto, contado religiosamente no relógio, vinha a mamãe com um super pente fino e se ainda sobrasse algum pra contar a história, mamãe metia a unha gigante, pontuda, mortal, até quase furar nossa cabeça. Não tinha um que sobrasse vivo e mamãe reinava novamente!


O pior era quando ela fazia toda a operação Caça Piolho na varanda de casa e a gente ficava rezando pra nenhum amiguinho aparecer no nosso portão, ou ainda quando as malditinhas lêndeas ficavam nos fios e a mamãe não via antes - "Meu Deus, as lêndeas ficaram! Vem cá menina!!" E então, ela começava tudo de novo agora, puxando ferozmente os fios, um por um, com sua garras afiadas...


É, menino sofria antigamente...

13 comentários:

LUARES DE LILITH disse...

Nem me fale!!! O trauma persiste e só de ouvir falar, ler a cebeçona já coça de medoooo! Sempre tive muito cabelo e uma mãe que desconhecia do que se tratava o piolho. Meu pai estava viajando e quando chegou ouviu minhas queixas de "dor de cabeça", que coçava muito, o resultado foram bichos criados saltando da cuca... Eles amaram minha cabeça, peguei os nada benditos por 05 anos consecutivos. Achava horríveis os tais lenços e os demais apetrechos. O que eu mais odiava eram os venenos neocid, rodiasol.... os testes lá em casa eram brutais... rs Um belo dia meu cabelo caiu, e na minha inocência achei que as raízes eram lendeas. E me pus a arrancar fio a fio... Minha mãe achou que a "queda" de cabelos se devia aos venenos... Minhas torturas com lenços e venenos acabaram!!! rs Os piolhos demoraram mais um pouco para me deixar em paz.... Beijos minha linda! Xô piolho!!!! Lu

Márcia disse...

Nina...
Eu tô que dou risada aqui da história dos piolhos... Criança nenhuma sai imune destes criminosinhos... Na minha cabeça até Baygon (acho que é assim que se escreve) minha mãe colocou... Eu adorava ver minha avó "catar" piolho na minha irmã antes de começar a odisséia em mim. Eu até contava a quantiadde pra ficar mais divertido (lêndea = 1/2 e piolho = 1). enquanto isso a coitada da minha irmã com a cabeça dentro do tanque de lavar roupa...
Oh meu Deus, é cada história...
Obrigada por sempre trazer a tona estas situações de infância que hoje em dia, são bem engraçadas...
Tschüss Liebe Nina!

Chris disse...

Caramba!!! Nuss Sinhora meu cabelo foi junto so de ler sua historinha aqui!!
Eu tinha muita amizade com as duas filhas mais novas da moca que trabalhava la em casa. Mas elas viviam com piolho e eu pegava delas, a Sandra, a mae das meninas era bem maluquinha, ria de tudo era divertida e ate hoje temos contato com ela! Mas quando ela pegava as meninas na area de servico, ela me pegava junto e colocava baygon. hahahaha
Mamae perguntava, mas Sandra... o cabelo das meninas nao vai cair nao? hahahaha
Ela dizia, vai nada! E qualquer coisa a gente poe alcool! Uff!
O cheiro era demais! Mas matava tudinho!!
Depois de alguns dias a Sandra vinha com um pote de creme para fazer hidratacao e passar mais pente fino so para ter certeza e para deixar os fios com um pouquinho mais de vida! hahahaha

bjks

Léli disse...

É verdade!!! Nossa nem gosto de lembrar e como disse Luares de Lilith, só de pensar já começa a coçar. Como dizemos aqui no sul eu sempre fui muito pilhenta. Eles estavam de passagem mas sempre aportavam na minha cabeça, aí já viu, neocid, um veneno, que chamamos de xispa, para matar mosquitos e por aí afora. além é claro das intermináveis sessões de cata aos piolhos. Minha tia Rosa tinha um olho, a gente passava por ela e ela já dizia, "vem cá guria, tu tá com piolho! Vem cá que vou te catá!". Daí ficávamos aquele tempão, sentadas no sol, com a cabeça entre as pernas dela, que tirava lêndeas, piolhos e alguns fios de cabelo com um pano branco no colo. Ah! E a fralda na cabeça era sempre, tenho até uma foto.
Nina, amei o texto, fez com que eu visse uma passagem da minha infância da qual não gostava muito com outros olhos. Brigada!
Beijão

Clara disse...

KKKKKKKKKK ô fase horrivel!! eu destava quando minha mãe vinha com a quele pente fino, e depois do pente ainda catava ehhhh!!
Vc já reparou que graças a Deus quando a gente cresce n~çao pega mais né ? hehhehe
beijo.

Dani M. disse...

Mermã, mulher de deus, eu sofri viu! Minha mãe dizia que eu tinha o sangue doce. Eu também era piolhenta demais, viu Léli. Jesus!
Eu até gostava quando sentava no chão do terraço pra minha mãe me catar, as vezes dormia pq ela conseguia não puxar muito meu cabelo. Mas quando vinha com o pente fino e as misturebas com vinagre, era cruel. Pior era na escola com meu "blusão" branco e o bicho vinha descendo do cabelo e aterrisava lá bem na parte mais branca. Aff, morria de vergonha. E na aula? tava muito bem a vontade sentada e de repente começa a coceira. E sentia aquele negócio andando. Uiiii...
Nina tu me raxa de rir, kkkkkk...
Adoro vir aqui. Sempre!
Um beijão!!

MUITO POUCO EU SEI disse...

Inpressionante, Nina, como a primeira reação é coçar a cabeça. Dei muita risada e lembrei que meus filhos quando eram pequenos tiveram piolhos e o tratamento foi totalmente diferente: shampoo cheiroso próprio. Que bom que isso evoluiu. Beijos

Patricia B. R. disse...

Nossa.. também tive desses! E o pior era o bilhetinho para casa "Senhores pais, foi constatado casos de piolhos entre os alunos da tal série. Pedimos para que os senhores verifiquem a cabecinha de seus filhos" e lá íamos nós pra sentar na cadeirinha e esperar a mãe se divertir com nossas cabeças. Cruzes, hein?! O que eu nunca entendi direito era porque eles não pulavam na cabeça da minha mãe quando ela tava ali envolvida na missão de destruir todos os bichinhos. Acho que eles só gostavam de cabeça de criança... hehehe!

Beijo Nina!! Boa semana!

Faninha disse...

Oláaa minha menina feliiiiz
deixeei um selinho pra vc lá no meu blog!
gosto muito daquiiii
bjiim

Déia disse...

Dessa eu consegui escapar... kkkk
Lembro dos meus amigos tendo que cortar o cabelo, passar remédio, pente fino...
Eu me coço só de ouvir falar.. kkk

C. S. Muhammad disse...

Pois eu sempre andava de cabelo preso, mas não adiantava, menina!! De vez em quando pegava o danadinhos e dá-lhe pente fino e remédio!! Para dizer a verdade, gostava qdo mamãe catava os piolhos e espremia na unha... fazendo aquele barulhinho. Acho que até o catar piolho era prova de carinho.
Mil bjs

Lygia disse...

Oi Nina!
Quem é que já não carregou esses amiguinhos??? E aqui no interior tinha também o "bicho de pé"! Que coceirinha gostosaaaaaa!! kkkkk
Ainda hoje preciso me cuidar pois em meio às crianças da periferia às vezes ainda aparece um ou outro desses bichinhos! Ai que a cabeça coça só de pensar!!!! rsrsrs

Beijinho Menina Feliz!

Lygia

Nina disse...

Rsrs, assuntinho nojento esse né gente? ahaha, depois que escrevi que pensei: deveria ter avisado que quem estivesse comendo, seria melhor que nao lesse.. nojinho :)

fiquei impressionada com o baygon! meu Deus, entao havia outras maes tao louquinhas qt a minha ou mais?? ahahaha, e olha, assim coma carla falou, eu tbm acho que qd nossas maes cuidavam das nossas cabecinhas, estavam tbm cuidando do amor entre nós, afinal, eu cansava de ver amiguinhos meus que as maes nem ligavam pros bichinhos,tadinhos :(

e tbm adorava qd ela, minha mamaezinha linda da minha vida, atacava os bichinhos com suas unhas e aquele barulhinho, tec, tec, era bom :)

Um beijo em cada uma, com carinho

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