Eu era pequena, uns 7 anos. Morávamos todos os 5 filhos da minha mãe, junto com ela e seu marido. Às vezes tinha as outras duas filhas do marido e de vez em quando, algum primo, vô, vó, tia, que ia dormir lá em casa. Como se vê, família grande. Casa pequena. Tinha que ter muita comida, não é?
Minha mãe nunca foi uma exímia cozinheira, fazia o básico mas o básico era tão bom! O melhor eram as guloseimas. Podíamos ser pobres, ter pouco na mesa, mas nunca nos faltou nada nessa época. Mamãe incrementava as coisas e tudo ficava uma delícia.
Pro lanche da tarde, mamãe fazia arroz doce, mingau de todos os tipos, saladas de frutas maravilhosas, bolos, sempre de caixa, porque ela não sabia fazer os outros, como todas as mães sabiam... mas ela fazia do seu modo e sempre ficava muito gostoso (acho até que o mais gostoso era pegar a bacia com a massa ainda crua, que os filhos brigavam pra lamber :-), ou bolinhos de chuva, tapioquinhas, etc, etc.
Mas o doce que eu mais amava, que na verdade, era servido como sobremesa, era o pudim de leite condensado! Meu Deus, aquilo era uma grande tentação. Eu simplesmente, adorava. O único problema era que cada um ganhava uma pequena fatia. E claro, essa fatia não me era suficiente.
O que eu fazia, eu não tenho orgulho hoje de contar.
Quando toda a casa silenciava e as luzes eram apagadas, eu ia até a geladeira e roubava uma pequena fatia do pudim. Ia pra cama lambendo os beiços de tao feliz. Como aquela fatia não me saciava, eu voltava pra geladeira, muito silenciosamente, e roubava mais uma fatia. Feliz da vida, ia pra cama, mas a imagem daquele pudim geladinho, todo cheio de furinhos, com aquela calda de caramelo o circundando, me fazia levantar novamente e roubar mais um tequinho.
Ao amanhecer minha mãe se deparava com o que sobrou do pudim, um terço do que ela havia deixado. ou até menos. Ela passava com a palmatória de madeira (que ela usava pra bater na gente) na cara de cada um de nós, perguntando quem havia feito aquilo. E claro, sempre sobrava pra mim.
Eu não lembro se eu falava a verdade, que havia sido eu, mas acredito que a verdade surgia na minha cara medrosa...
Lembro das minhas juras depois de apanhar da mamae:
Quando eu crescer, vou ter uma casa só pra mim e essa casa vai ter uma geladeira enorme e nessa geladeira, só vai ter pudim! E ninguém nunca vai me bater. Só vou comer pudim, só pudim, pudim, pudim, pudim!
Desenho meu, tentando mexer com aquarela,
e totalmente inspirado na ilustradora alema Bärbel Haas.
Eu dizia isso com muita raiva, com os olhos cheios de lágrima e ainda com o gostinho de pudim na boca.
Claro que cresci, e tenho uma casa e uma geladeira, mas nao tem tanto pudim assim como eu imaginei. E o pudim continua sendo minha sobremesa favorita e claro que sempre que faco essa delícia da nossa culinária, lembro dessa época. E rio lembrando, enquanto como meu pudim querido...

12 comentários:
Nina, que aquarela maravilhosa! Tô vendo que seu bloguito vai ser todo enfeitado com uma nova arte... Tá de parabéns querida!
Quanto ao pudim, vamos combinar aqui, há sobremesa mais gostosa??? Portanto há perdão para suas fatias noturnas escondidas (mas nem tanto :)
Bjs querida
Márcia
Que coisa mais linda, a história(quem foi que nunca mentiu ou roubou um docinho a mais?)e a pintura. Muito lindo!
Impossível sair daqui sem um sorriso ao menos!
Hoje é o dia da coletiva, participe!
Bjs.
Aqui em casa pudim também é a nossa sobremesa preferida mas por causa da nossa Tonha.
Ela faz um pudim delicioso. Não tem igual em nenhum lugar do palneta.
com carinho MOnica
Estou indo para o Rio de Janeiro amanha
Oi Nina fuçando na blogosfera encontrei seu blog e simplesmente apaixonei ai que delicia!
Muito gostoso ficar aqui lendo suas historias, vou te seguir para acompanhar mais,e com mais tempo.
Adorei tudo por aqui.
Bjão
Nina
Aquelas crianças são uns amores mesmo|!E o mais interessante é que todas as mame queriam muito ter um filho e conseguiarm depois de algumas oraçoes.
Por isso são crianças muito amadas
Vieram da dificuldade de engravidar
com carinho Monica
adorei seu texto ,
adorei seu desenho,
tudo muito lindo e
eu ainda ri até,
parabéns.
Caríssimos amigos
(no plural pois é extensivo aos seus leitores)
É com grande alegria interior que estou comemorando os 500 seguidores em meu Blog:
http://espiritual-idade.blogspot.com/
200 seguidores em meu Blog:
http://espiritual-poesia.blogspot.com
200 seguidores em meu Blog:
http://espiritual-mimo.blogspot.com
A Vitoria é nossa!!!
Pegue os seus mimos por lá... Vc os merece...
Excelente feriado com as bênçãos do Alto...
Com gratidão, carinho fraterno e amizade
SE DEUS É POR NÓS... QUEM SERÁ CONTRA NÓS???
Orvalho do Céu
P.S. E eu fazia isso com o leite condensado purinho... na casa da tia... aliás, fazímaos... rsrss...
Bjks
que história mais linda... e doce!
:D rsrs
bjsmeus
Uma história encantadora, como sempre, e com esse saborzinho a pudim, além de encantadora, é ainda deliciosa!! Também adoro pudim. Quando era criança era só eu e a minha irmã, mas se houvesse toda essa "concorrência", bem que eu era capz tb de ir de noite pegar mais um pedacinho... :))
bjs
Olá Nina, de novo. Estive a ler o texto que escreveu sobre o seu pai, e não podia sair daqui sem deixar um comentário. É tão emocionante, e fez-me pensar em tanta coisa! Na minha relação com o meu pai, sempre distante, e tb no pai da minha filha, que tb tem esse jeito meio "desligado" de que vc fala. Parece que "não tá nem aí", e isso por vezes é bastante enervante, chega a ser desesperante. Infelizmente pode ser interpretado como falta de amor, mas tb sei que não é. Muitas vezes só em situações extremas é que percebemos a verdadeira dimensão dos sentimentos das pessoas. Muito lindo, amei tudo. Os desenhos estão maravilhosos, super expressivos. Obrigada por compartilhar. Bjs
meo! que blog lindo! que lindas historias! e desenhos fofissimos, cheios de sensibilidade! foi um prazer te conhecer! e fiquei louca pra mandar minhas historias de menina feliz...
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